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Tudo começa com um falecimento. E com um pedido especial por parte da falecida. Um pedido inicialmente um tanto incompreensível. E é à volta desse pedido que uma história é contada. Será uma história de amor? E se eu vos disser que sim... mas que não propriamente? 

Saibam porquê.




O cenário deliciosamente vintage. A interpretação fantástica de Meryl Streep. O realizador que é ator: Clint Eastwood. O porquê do título do filme fazer tanto sentido. O meu espanto quando percebi que o filme tem quase a minha idade.

Este filme é apetecível porque fala-nos de sonhos. Por muito que se sintam atraídos a pensar que esta é mais uma história de amor - numa fase bem mais tardia do que seria expectável - desenganem-se. Fala-nos sobre amor? Sim. Se vão chorar pela lamechice que vos vai penetrar o miocárdio? Muito provavelmente.

Mas, mais do que isso, The Bridges of Madison County fala-nos dos pequenos momentos da vida. Daqueles que nos passam ao lado e que, no entanto, se tivessem acontecido, hoje tudo teria uma cor diferente. 

Fala-nos dos se's que reciclamos na nossa mente. E se eu não me tivesse separado daquela amiga e não tivesse terminado com aquele namorado e tivesse escolhido aquela alínea? Como seria eu hoje se naquele dia A não tivesse errado B? Ou então, como seria eu hoje se não tivesse acertado sempre tanto?
São questões que este fantástico filme - apesar de somar já duas décadas - aborda sobre aquilo que é intemporal: as escolhas, o destino, a linha incerta que certamente não traçamos.

E, por isso, escolho nomear este filme como um super filosófico, quase que super metafísico. Nada contra histórias de amor. Mas é bom ver um filme que nos ensina algo sobre o que é real no amor, na perda, na separação. É bom que este tipo de história seja assim contada. Desta forma. E não da abonecada.




E, depois desta tentativa de vos falar de uma coisa espetacular sem vos dizer o que é a coisa espetacular, trago-vos 4 curiosidades acerca dela:

1. As filmagens duraram apenas 36 dias. Dá para acreditar? 

2. A famosa ponte que despoleta o maior acontecimento do filme foi destruída num incêndio, em Setembro de 2002. 

3. Uma ex-lover de Clint Eastwood compareceu à cena para prestar audições para o papel de Francesca. 

4. A milagrosa ideia de inserir Meryl Streep no papel de Francesca veio... da própria mãe de Clint Eastwood.

Por fim, confesso que a data e a própria capa do filme (eu sei que não devo avaliar filmes pelas capas, mas continuo a fazê-lo instintivamente) fizeram-me duvidar dele inicialmente, mas a verdade é que adorei vê-lo e que bem que me soube fazer as minhas viagens de regresso a casa na companhia do mesmo. Talvez por isso tenha sido tão especial.



Que conclusões diferentes tiraram acerca de The Bridges of Madison County? E há quanto tempo têm este tesourinho na watchlist do Imdb?

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