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"Sai do frio, que ainda apanhas uma pneumonia!" Sabiam que isto é um mito? A pneumonia tem como agentes etiológicos bactérias, vírus ou até, em casos de indíviduos imunodeprimidos fungos. E nada terá que ver com a chuva que caiu naquele dia ou com a "corrente de ar" que apanhamos. A correlação da pneumonia com as baixas temperaturas pode apenas ser válida no sentido de promover condições favoráveis à permanência do microrganismo no corpo humano. Há várias maneiras de contrairmos estes agentes e elas passam sobretudo pela microaspiração dos mesmos, levando à infeção das vias respiratórias baixas, como os alvéolos, os bronquíolos e o interstício pulmonar. 

Sabiam que...?


1. Uma pessoa estar infetada com o vírus HIV não é sinónimo de ter SIDA. A SIDA é a Síndrome da Imunodeficiência Severa Adquirida e é a demonstração tardia - e, hoje em dia, dificilmente alcançada ao longo da doença - do vírus. Daí que, muitas das vezes se diga que não se morre da SIDA, morre-se sim das infeções oportunistas que vão surgindo ao longo da expressão da doença.

2. A infeção por HIV-SIDA é uma doença que continua a não ter uma cura definitiva. Porém, a pessoa infetada com HIV é hoje mais "facilmente" tratável. Um professor que respeito imenso, Dr. António Pais Lacerda, chegou uma vez a dizer que um doente infetado com HIV, nos dias de hoje, é como um doente que sofre de diabetes. Tem que seguir à risca uma série de procedimentos, mas viverá a vida como qualquer outro. 


3. Sabiam que uma amigdalite poderá estar na origem da febre reumática? (que, por sua vez, resulta da nossa resposta imunitária exacerbada contra o microorganismo que provoca a amigdalite e que pode ter efeitos nefastos ao nível do coração, como a endocardite.)

4. A diabetes mellitus tipo I chama-se assim porque, à data, classificaram-na tendo em conta o sabor da urina dos doentes. Pelos vistos, saberia a mel. Daí a origem do nome. (A imagem que acabei de vos plantar na cabeça é incrível, eu sei.)


5. Espremer uma borbulha pode - e já aconteceu - levar a uma tromboflebite da veia facial. E tudo porque é um vaso bastante superficial na face e que, por esse motivo, pode incorporar algum agente bacteriano que tenhamos nos dedos com que decidimos espremer a dita cuja. Moral da história: não espremam borbulhas!

6. O Paracetamol tomado em conjunto com bebidas alcoólicas pode levar a hepatoxicidade.

7. Vómitos e dor aguda no tórax. Estes dois sintomas combinados podem indicar que a pessoa está a sofrer um enfarte da parede inferior do miocárdio. E isto tudo porque é simplesmente nesta região - na parede inferior do coração - que há uma enorme densidade de recetores nervosos que, por sua vez, induzem também o peristaltismo do esófago, bem como a motilidade intestinal e gástrica, incentivando a que, numa situação de enfarte dessa parede - e portanto, de isquémia do miocárdio - sejam como que ativados esses recetores e, assim, induzido o vómito. Sintoma este que parece muito distante de um quadro de enfarte cardíaco.


8. Um dos primeiros sintomas de dor que surgem  numa apendicite são sentidos em redor do umbigo e não na fossa ilíaca direita (= quadrante inferior direito do abdómen, onde normalmente está localizado o apêndice). E tudo porque, de uma forma simplificada, os nervos que inervam a pele da região umbilical "transportam" informação nervosa dos nervos que são responsáveis pela inervação do apêndice, transportando assim a informação de dor - provocada pelo aumento do apêndice - para o umbigo.

9. A primeira coisa com que somos gozados nas primeiras semanas do curso é acerca da existência de uma apófise vaginal. "Apalpa a apófise vaginal da tua colega, vá lá." E os caloiros ficam assustados. Como não ficar? Mas a verdade é que a apófise vaginal é uma estrutura óssea que pertence a um dos ossos do crânio - o esfenóide (que é este osso assustador em forma de borboleta aqui abaixo). Lá escondidinha, pequenina. E completamente inofensiva.



10. Muitas das gastroenterites que certamente já contraíram (ou que virão a contrair, um dia) vieram diretamente do corrimão da escada rolante ou do lavatório onde a pessoa que utilizou a casa de banho antes de vocês teve a infelicidade de passar a mão e, por sua vez, vos contaminou as mãos. E, de seguida, uma mão vai à boca ou porque roem uma unha ou porque esfregam um olho e... o resto já sabem como termina. 


11. A toma conjunta de esomeprazol (antibiótico usado no combate à azia) e da pílula desfaz o efeito desta última. Isto foi uma chamada de atenção que a minha professora de Anatomia Clínica fez este ano e fê-lo muito bem. Estejam atentas - e atentos, para quem tem a namorada nesta situação - e alertem as pessoas acerca disto. Falem com o vosso médico, procurem outras soluções, nomeadamente a mudança do antibiótico e, claro, o término do esomeprazol.

12. Se já se perguntaram porque é que têm um testículo mais descaído do que o outro, esta é para vocês. Se repararem na imagem, a veia espermática esquerda (assinalada com um círculo, a preto) faz quase um ângulo reto e deposita-se naquele ponto assinalado. O facto de ela fazer aquele ângulo, em oposição à veia espermática direita que é mais linear, faz com que esta fique mais "pesada" e incentive o testículo esquerdo (normalmente) a ir atrás da Sra. Gravidade. (didn't see that coming, Inês)




E assim termino a minha divagação de conhecimento, com esta bela - e grande - imagem anatómica. 


Muitas das coisas que partilhei aqui convosco fascinam-me mesmo, sobretudo por introduzirem novidade e contradizerem muitas das ideias pré-feitas que tinha acerca de variados temas. 

O que é que foi mais surpreendente ou bizarro e o que é que já conheciam desta lista?

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