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Os gurus de produtividade e os especialistas em espiritualidade têm a mesma resposta para o segredo das coisas funcionarem na vida: é preciso viver com intenção. Manifestar os seus desejos e ambições para o universo e esperar para ouvir as respostas. Só que a chave de entender essa frase é perceber a parte de “viver” também. Não adianta ter toda a intenção do mundo sem fazer a sua parte para que as coisas aconteçam.

Uma coisa que eu percebi pesquisando sobre organização e como viver melhor foi que as pessoas adoram incorporar essa intencionalidade, o modo “mindful” de viver, nos pequenos detalhes da rotina. Você cria temas para a seu mês, semana, dia... E aí deixa claro para si mesmo e para o mundo que é aquilo ali que você quer e que é para aquele objetivo que está trabalhando.

É por isso que eu decidi escolher uma palavra para o meu ano. Via isso o tempo inteiro nos milhares de vídeos sobre bullet journal que assisti compulsivamente o ano todo e finalmente entendi o motivo de todo mundo escolher uma. É colocar a sua intenção num formato simples e conciso e lembrar diariamente o que você quer para o seu ano. O que é, e se você é um pouquinho como eu vai concordar, uma estratégia bem mais fácil de se lembrar do que um monte de diferentes resoluções para o ano novo, né?

Depois do último post e do quanto eu me senti fora do controle do que estava acontecendo na minha vida em 2017, minha palavra para 2018 é fazer. Tirar os planos do papel, levantar da cadeira, colocar a mão na massa e fazer acontecer. E me conta, qual palavra você vai escolher para guiar o seu 2018?

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Eu não sei você, mas eu sempre me sinto mal quando vejo outras pessoas reclamando do ano que passou e esperando que o próximo resolva todos os problemas. Não porque eu não acredito em um ano melhor vindo por aí, eu acredito, mas porque é triste quando a gente resume tudo o que aconteceu de ruim e esquece as coisas boas e as lições aprendidas. Não é pra fingir que tudo foi maravilhoso e sim avaliar o que deu errado e se planejar para fazer as coisas acontecerem. A Déborah, por exemplo, escreveu um post lindo sobre o ano dela e ver os momentos felizes da minha amiga num ano cheio de problemas e adversidades me deixa com muito mais esperança pelo que ainda está por vir.

Então, agora somos só eu e você, eu sei que é difícil e que dá vontade de deixar tudo pra lá e focar no futuro, mas precisamos falar sobre 2017. Eu perdi o controle em 2017. E não do jeito “legal” de perder o controle quando você está em uma festa e aproveita até não aguentar mais ficar em pé, mas do jeito que você não sabe o que está fazendo nem o que está acontecendo e torce pra vida parar um pouquinho pra você conseguir acompanhá-la. Sabe aqueles dias depois do período de festas que está tudo esquisito ainda e você precisa de um tempinho para voltar para o ritmo e a rotina? Então, esses dias duraram o meu ano todo.

E não tô jogando a culpa nesse ano maluco não! Eu sei que precisava de muito mais disciplina do que tive e que não adianta gastar um tempão planejando mudanças se elas não saem do papel. Nem vou colocar essa responsabilidade em 2018. A responsabilidade é minha. Se eu quiser mudanças, vou precisar lutar para fazê-las acontecer. Mas essa é uma conclusão que, por mais óbvia que pareça, eu dificilmente conseguiria chegar sem ter passado por tudo o que passei nesse ano.

2017 foi o ano que me senti menos “no controle” em toda a minha vida, mas também foi o ano que mais consegui me conhecer de verdade. Descobri o meu autismo, passei a lidar de frente com a minha ansiedade, tive o meu primeiro emprego fora de casa, conheci um monte de gente e consegui passar por situações que me assustavam, dei passos importantes para um maior conhecimento espiritual, descobri que a acupuntura ajudava pra caramba com a minha enxaqueca, lidei com problemas de saúde que não conhecia, acompanhei as mudanças e conquistas de muitas pessoas queridas, aprendi a meditar, percebi hábitos ruins e estou os deixando no passado...

2017 foi pegar uma carona num furacão, passear por todo o canto girando sem parar e descer bem perto de casa. Foi andar muito pouco, mas acumular uma bagagem gigante que vai me ajudar muito pra enfrentar as próximas viagens. Foi assustador, dolorido, verdadeiro e muito recompensador.

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Eu amo o Natal. Por mais que esse tempo seja um tempo de grandes contrastes e que nos faz perceber ainda mais as injustiças e os problemas que nos cercam. Por mais que as pessoas que não pensam no próximo o ano todo adorem fazer "boas ações" para contar pros amiguinhos e não mudem de verdade como seria lindo acreditar. Por mais que a beleza dos filmes e da neve só exista na tv e a gente fique aqui, derretendo na cozinha com o calor que fica ainda pior enquanto a comida esquenta no forno. Por mais que a família perfeita só exista no comercial da Coca-Cola e a nossa fica aqui, perguntando quando tudo vai ficar pronto e implicando com cada detalhe da decoração que você demorou dias para terminar.

Eu amo o Natal porque ele é possibilidade. De abraçar alguém que não vê há tempos, de sorrir para os estranhos na rua, de se encantar com os lugares que passa todos os dias, de demonstrar o seu carinho pras pessoas que estavam muito ocupadas no restante do ano. É a hora perfeita pra mudar o que quiser mudar, ou decidir que não precisa mudar nada e que os outros é que precisam compreender e amar mais. É o momento ideal pra fazer o que te faz feliz, seja uma festa gigante cheia de pessoas ou comer uma pizza sozinho vendo um filme qualquer.

Eu amo o Natal porque ele nos faz pensar em presentear. Pode até ser aquela boneca bonita ou a arminha que solta bolhas de sabão. Mas o que mais gosto é que o Natal nos faz ver que o melhor presente para quem a gente ama é estar lá. É mandar aquela mensagem, dar aquela ligadinha ou combinar a saída que sempre fica pra ser marcada e nunca sai. É usar o amigo oculto pra conhecer melhor aquela pessoa que tá sempre perto de você. É lembrar que nem todo mundo tem a sua sorte e que talvez essa seja uma boa hora pra finalmente começar aquele trabalho voluntário que tem vontade ou doar um pouquinho do que sobra no fim do mês pra uma instituição legal. Mas é também pensar que você precisa de presentes e de se cuidar e que talvez isso seja tirar uma folga das redes sociais ou das coisas que parecem obrigação no fim do ano, e tá tudo bem.

Eu amo o Natal porque já o odiei. Já fiquei triste, com raiva, decepcionada. Já fiz piada, já reclamei, já fui ingrata. Eu amo o Natal porque agora eu entendo. Não importa no que você acredita ou no motivo pelo qual comemora. Eu amo o Natal porque ele é sobre amor. E o amor é sempre mais forte que o resto.

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Achei melhor não postar ontem. Desde o começo de dezembro e desse blogmas acho que é perceptível que não estou no melhor do meu estado mental. Dito isso, também não estou no meu pior e tô muito feliz e mais perto de onde quero estar do que mês passado, por exemplo. Quando eu tenho mais tempo livre minha ansiedade começa a piorar e o fim do ano, apesar de ser uma das minhas épocas favoritas, tem esse problema do tempo livre e de muitas coisas para se pensar. Ontem foi um dia que estava com a cabeça muito estranha e não consegui produzir nada. Mas acabei meditando à noite e foi uma das minhas melhores experiências até hoje.

E daí que eu li um artigo outro dia que criticava um pouco da onde da "self-care" (auto-cuidado) que o pessoal tem compartilhado e falando que se cuidar não é assistir um filme nem comer um bolo quando você não está bem. É claro que eu entendo a intenção de quem escreveu: às vezes o que mais vai fazer bem pra você são as coisas complicadas e que você menos quer fazer. O artigo dizia que auto-cuidado é menos parecido com uma cena feliz num filme e mais coisas como pagar uma conta no dia certo, se obrigar a entrar em uma rotina ou ir no médico de vez em quando. E eu entendo que isso é sim muito muito importante pra todo mundo. Mas é uma visão muito limitada do que significa cuidar de si mesmo.

Todo mundo é diferente e grande parte de nós, humanos, está sofrendo com alguma doença mental. E pra alguém com ansiedade, depressão, transtorno bipolar, borderline ou qualquer outro problema mental, auto-cuidado vai parecer muito diferente do que para alguém neurotípico. Às vezes você precisa se lembrar de tomar banho ou comer, precisa deitar no escuro durante alguns minutos ou sair de um lugar com muitas pessoas para respirar, precisa tirar um dia todo de folga depois de um dia muito ocupado ou desenhar por horas sem parar. Pode ser que o que vá te restabelecer de uma situação difícil é brincar com cachorros de rua ou ler um livro do começo ao fim. Pode ser que você vá precisar de alguma atividade de auto-cuidado depois de fazer aquelas coisas que os outros dizem que são pra cuidar de si, tipo pagar as contas, mudar sua rotina ou ir ao médico.

Enquanto eu acho maravilhoso que as pessoas por aí estão querendo entender o que podem fazer para se sentirem melhores e cuidar de sua saúde além do físico, não podemos esquecer que também é maravilhoso entender que nem todo mundo é igual a você e ficar tão feliz pelo amigo que foi direto para casa assistir horas do seu seriado preferido depois de uma prova difícil quando fica pelo que saiu pra beber com a turma.

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E tá tudo bem. Pelo menos quero acreditar que está tudo bem. Melhor que ontem, melhor que há uns anos, melhor que na adolescência. Hoje eu já tinha decidido que não iria postar. Achei que precisava tirar uma folga de mim mesma. Mas a vida tinha outros planos e logo pela manhã consegui lidar com uma das coisas que estava me incomodando. Enquanto acreditava que tudo agora estava dependendo do universo, passei uma tarde relativamente tranquila, só que o tempo todo eu tinha essa sensação de que alguma coisa ia acontecer. "Ah, claro! É a ansiedade!" - foi tudo o que consegui pensar.

Mas eu estava me arrumando para a última aula do ano. A última aula com a minha turma de Jornalismo. E por mais que eu ainda vá permanecer na universidade por mais um semestre enquanto desenvolvo o meu TCC, nunca mais estarei numa sala de aula com todas aquelas pessoas. Talvez seja a última vez que eu veja os rostos das pessoas com as quais compartilhei todos os dias da minha vida por quatro anos. É impossível passar por isso ilesa. E quando o professor da última aula foi conversar com a gente, com os olhos marejados, eu perdi meu chão e tô até agora sem saber o que está acontecendo comigo.

Não consegui chorar ainda. E tô tentando, juro! Tô com muita vontade, mas as lágrimas estão aqui, se acumulando e acumulando e tem um nó na minha garganta e nada acontece. E eu não consigo mais me lembrar da vida antes da universidade. A pessoa que eu era parece mais uma miragem num sonho febril e a pessoa que eu sou está com os dias contados sendo desse jeito. E aí eu percebo que, mesmo depois desse ano que foi cheio de autoconhecimento eu continuo sem saber quem eu sou. Talvez eu descubra um dia. Talvez eu continue sem saber. E tá tudo bem. Vai ficar tudo bem.

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