personal
Eu posso ser a pessoa mais animada da festa, conversadora infinita, dançarina amadora e cantora profissional de chuveiro mas também posso ser o meu refúgio, nerd a tempo inteiro, devoradora de livros e respirar ao som de playlists de Bon Iver. Eu p…

Move your blog to Nouw - now you can import your old blog - Click here

Likes

Comments

personal
"Sometimes I look in a mirror and like what I see and other times I don't. Sometimes I have a photo taken of me and don't relate to what I'm seeing. Sometimes I get a glimpse of me and I don't really feel like it's me. In every photo, reflection, s…

Likes

Comments

personal
Hoje recordo aqui no blog um dos momentos mais bonitos do meu passado Abril: as bodas de prata dos meus pais. Depois de lhes ter dedicado tudo num vídeo bonito que terminei ontem, decidi que devia partilhar mais um bocadinho do meu amor por eles co…

Likes

Comments

college, personal
O número V não é um número particularmente feliz. Sempre o achei um bocado convencido de si, como se estivesse numa constante disputa entre quem fica com ele: o quatro ou o seis. De facto, desde pequena que personifico o número 5 ( ele e os restant…

Likes

Comments









Abril foi intenso. Há muito tempo que não me sentia tão distante do blog e das redes sociais, em geral. Foi bom estar offline, sinto que me concentrei mais em mim mesma. Não que não o faça mas fi-lo mais regularmente. Pensei à séria naquilo que sou (mais para mim, do que para os outros) e coloquei-me numa jarra para auto-observação.

Entre umas pseudoférias da Páscoa, a Páscoa propriamente dita e o início de uma época de exames que se adivinha chata, consegui fazer coisas que considero importantes como: ver duas séries altafuckingmente (das quais vos virei a falar, wait for it...), estar com os meus amigos, dormir e comer bem, pausar mais vezes, estudar menos (não se deixem enganar pela descrição fotográfica irónica ali acima) e, claro, estar com a minha família. E, sinceramente, não me parece que esteja a perder algo. A vida é bem simples, no fundo. E, com estas coisas todas, eu tenho que me considerar uma miúda feliz. Eu sou uma miúda feliz. 

Por este mês tenho que agradecer, em especial, à minha mãe. Se há pessoa no mundo que nasceu com uma coisa chamada destino, essa pessoa foste tu. E o teu propósito foi, além de infinitas outras coisas, o de ser mãe. Acredito tanto nisto como tu acreditas em mim. Sem a tua energia lá em casa, nós seríamos todos um bocadinho menos nós, sabias? Eu espero que o saibas. Há sempre alguém na vida de cada um nós que nos empurra para um lugar melhor, um pensamento melhor, que nos faz ver à frente do problema, da situação, do momento. E essa pessoa, para mim, és tu. 

Vou agradecer ao Diogo, ao meu querido pai e à Buka, claro. Vocês, que são tão energia como a mamã, zelando sempre pela minha homeostasia. Tenho uma sorte do caraças por ter nascido e estar a crescer convosco. E sinto que cada vez mais caminhamos todos juntos para o sítio certo. 

O facto de os meus pais terem chegado aos vinte e cinco anos de casamento no fim-de-semana passado também me fez refletir bastante. É como se esta data fosse uma espécie de lembrete que nos disse: "olha, estás a ficar crescida e eles mais ainda." Foi uma festa tão bonita, tão pura, tão vocês e nós. Estou tão feliz por ter estado lá, a registar cada momento, com as pessoas certas, no sítio certo.

Abril foi um mês que andou por cima de uma calçada portuguesa de saltos altos porque, de facto, muito aconteceu em trinta dias e, por estas linhas que vos escrevo, não vos consigo transmitir nem metade. Mas o que importa mesmo é que chegou ao fim do seu caminho, descalçou os saltos, arrumou-os num armário primaveril e trocou-os por uns chinelos confortáveis, um sofá calmo e um programa de tv ligeiro e tudo isto acompanhado por uma bela bebida fresca.

Ou pelo menos, é assim que espero que seja o meu Maio.

Move your blog to Nouw - now you can import your old blog - Click here

Likes

Comments

foto retirada daqui

2016 foi mesmo um bom ano. Foi tão bom que eu acho mesmo que, inconscientemente, me senti presa a ele nestas últimas horas. Parecerá patética esta explicação para aqueles que não estão dentro da minha cabeça mas, de facto, sinto que foi isso que aconteceu. Mas bem, a transição está feita e um 7 ergueu-se, finalmente, como último dígito real do novo ano. Não sei se estou pronta para um Janeiro cheio de exames - nunca estamos - mas sei que estou pronta para mudar de atitude. Ser mais liberal comigo. Não me pressionar tanto, nem me deixar sentir pressionada. Quero viver o resto dos 20 que tenho com a consciência de que estou a aproveitar os meus anos de jovem adulta bem e em  toda a sua plenitude. Não posso deixar que isso me passe ao lado. Este é o meu mote para 2017.

Esta é a mensagem que ilustra isso hoje e é ela que vai estar colada ao ambiente de trabalho do meu computador nestes dias que se avizinham. 

W I S H you all the best.

Likes

Comments



Hello from the other side...!

A verdade é que parece que tenho estado mais do lado da faculdade do que do vosso. Hoje pretendo quebrar isso. Resolvi vir aqui pôr-vos a par de um pouquinho da minha vida. Acho que vos devo uma justificação para este long time no see, afinal já nos conhecemos há 3 anos... ou pelo menos é como eu gosto de pensar neste meu blog: uma mesa grande repleta de revistas de moda, opiniões, comida e o mais importante: pessoas! E não podemos faltar a encontros com amigos e não nos explicarmos, não é verdade?


Encontro-me agora no primeiro semestre do 3º ano de Medicina... conseguem acreditar?! 3º ano... quando ainda há pouco me queixava do montão de ossos e articulações que tinha que decorar! É difícil apercebermo-nos da passagem do tempo. Mais fácil fica pensar sobre isso: tenho 20 anos, faço aquilo que gosto e tenho a oportunidade de viver e estudar numa cidade que não a minha. Tenho chegado à conclusão de que tudo me aconteceu nestes três anos, mesmo que eu acusasse alguma "monotonia" na minha vida. A verdade é que tenho muita sorte em poder andar sempre cá e lá, o que significa estudar numa faculdade incrível à semana e voltar para casa todos os fins-de-semana, sem exceção. 

Tenho sorte. Tenho mesmo. 

E agora que Anatomia ficou bem lá para trás - e o medo das coisas que parecem impossíveis também! - estou pacífica. Tenho duas cadeiras que, apesar do intensivo estudo pré-aula que preciso de fazer para as entender, são deliciosas. Cada vez mais clínicas e, portanto, cada vez mais interessantes. Fisiopatologia tem sido uma das minhas preferidas, mas também não descuro de Introdução à Clínica em que, pela primeira vez, percebo alguns tum-tuns do nosso adorável coração. Deteto aquele sentimento de wannabe a doctor quando vestimos a bata branca e colocamos o estetoscópio ao pescoço, apesar de ainda um pouco imaturo, é interessante, de nossa parte. Parece que estamos a sê-lo, finalmente, passados dois anos de curso.

Mas não só de Medicina se tem feito a minha vida...! A verdade é que, quando volto a Famalicão, reúno-me com as minhas amigas que, à sexta-feira à noite - a nossa tão rotineira sexta - me fazem esquecer que eu estou longe na maioria do tempo. Elas trazem-me de volta àquela Inês de sempre. E isto faz-me bem. 

Além disso, tenho uma mega novidade...! A partir da próxima semana, na minha casa, passaremos a ser 5! E não, não vou ter um irmão. Mas vamos ter uma cadela!!! Depois de tantas promessas em pequenitos, de tantas desilusões de não podermos ter um animal porque vivíamos num pequeno apartamento, eis que chega a melhor coisa que nos podia melhorar as rotinas: a nossa Buka. Prometo trazer-vos aqui um post só acerca dela. Entre alguns cocós, xixis e chinelos roídos expectáveis, esperamo-la com muito muito amor!

Não saiam daí. Contem com mais blog nestas próximas semanas, sim? Ou pelo menos, tenham fé de que conseguirei vir aqui falar-vos de coisas bonitas - ideias não me faltam!


Likes

Comments

Somos 3. Pensamos todas de formas curiosamente diferentes. Vestimo-nos de formas diferentes. E acreditamos em coisas diferentes. Mas sei que, algures, no caminho, nos encontramos. É na gargalhada mais alta que reside a nossa amizade. É na confidência mais parva e sincera que damos sentido à nossa existência. E é também nas palavras umas das outras que reconhecemos uma espécie de conforto, de casa.

Talvez não precisemos de o dizer em voz alta muitas vezes, mas sabemos que juntas somos incríveis. E que precisamos! Precisamos de nós assim, a dar uso à ironia que é a nossa vida, numa esplanada da cidade. 

Se há coisa que eu aprendi na vida, além de dar o devido valor a quem conquista o meu pequeno coração, foi a manter junto de mim quem o faz tão bem. E estas minhas pérolas, a quem tenho o prazer de chamar de amigas, são dos seres humanos mais belos que eu conheci até hoje. 

É fácil esquecermo-nos do quão espetacular é termos um amigo, sempre à distância de um telefonema. É tão fácil amarmos estas pessoas e esquecermo-nos de o dizer, em voz alta. 


Por isso, hoje faço um brinde ao nosso cocktail de feitios...! 

Likes

Comments


Uma pessoa é tão mais do que aquilo que achamos saber acerca dela. Não é aquela manhã em que chegou atrasada à primeira aula, não é aquele outfit que correu estrondosamente mal, não é sequer a vez em que foi injusta numa opinião que achava estar completamente certa. Talvez ela fosse isso tudo, naqueles instantes, foi. Mas o verdadeiro fascínio das pessoas está naquilo que elas não nos mostram. Não me refiro àquilo que escondem, mas sim àquilo que são, quando não estão apenas de passagem, diante dos nossos olhos.

A nossa essência - acho esta uma palavra tão especial, mais poética do que alma ou personalidade - está nos instantes

A minha essência está nas manhãs; na minha torrada com ovos mexidos, acompanhada pelo meu latte improvisado, está no meu sorriso constante; aquele que alcança a mais pura da honestidade quando regresso a casa, tão mas tão esgotada da minha semana, e me sinto plenamente feliz por saber que vou acordar na cama mais confortável da minha vida, está nos meus apontamentos felizes; inúmeras são as vezes que no meu caderno aponto pensamentos bonitos que tenho a meio do dia, ou então escrevo coisas que me aconteceram e das quais não me posso nunca esquecer, ou ainda frases emblemáticas que os meus professores disseram, sem que soubessem a importância que elas tiveram para mim, está na minha mente; que lida com coisas gigantescas e as simplifica, sempre lutando pelo meu ou pelo equilíbrio dos outros, está na minha playlist e na watchlist de viagem; quantas são as músicas em overloop que dizem mais acerca de mim do que eu digo aos outros, ou então os filmes, os mais maravilhosos filmes que despertaram em mim ideias, sentimentos, que me despertaram para realidades diferentes ou então bem iguais à minha; está na minha paixão por plantas, está no "sempriternamente" de Saramago, está nos livros que deixei a meio, está nas pessoas que a meio deixei. 


A nossa essência reside nas nossas coisas, sejam elas rotinas, pensamentos, ideais, pessoas... Nós somos aquilo que os outros tentam procurar de melhor em nós, por vezes somos mesmo aquilo que encontram, mas nunca isso. 

Assim como não se entende a anatomia de um cérebro se só o olharmos de frente, tonto será acharmos conhecer alguém por isto ou simplesmente por aquilo. Somos todos mais. Devemo-nos mais uns aos outros. Esforcemo-nos por nos conhecermos (mais e melhor).

Porque o melhor de se procurar muito por uma coisa, é de facto encontrarmos uma outra tão diferente do expectável.

Likes

Comments


Com o meu pai, a coisa mais difícil de se fazer é tirar-lhe uma foto. E por isso, nestes dias tenho que ir sempre ao baú. Neste caso, recuei mais de metade da minha vida e dedico-lhe esta foto, tirada num sábado de manhã (dia de ir para o trabalho mais tarde, na altura, e o meu dia favorito, agora). Gosto de o lembrar que ele não é só pai, nem marido, nem dono de café. É mais. É tudo o que sonhou desde pequeno e tudo o que pode continuar a sonhar. O meu pai é distinguível por ser um pai que sempre acreditou em nós, desde muito cedo, e pelo mesmo motivo. Por nos conseguir ver como seres individuais. Por nos levar a sério: nas nossas opiniões e decisões. 

Com ele, aprendi a ser melhor. A não deixar que ninguém me faça sentir o contrário. E a saber defender-me quando isso acontecesse. O meu pai é uma pessoa de objetivos. Acho que o que o melhor define é a sua capacidade de pensar em situações difíceis, de tomar decisões quando toda a gente já está a dramatizar e, ainda mais, por conseguir ver as coisas a longo prazo. Utilizando uma das suas citações preferidas, é uma pessoa que "vê mosquitos na Austrália". 

Eu sou muito o meu pai. Ainda que tenhamos opiniões bastante divergentes, que por vezes se transformam em autênticos debates à mesa, nós convergimos em tantas coisas. Somos (quase sempre!) a favor da ciência, adoramos fotografia e tecnologia no geral e fascinamo-nos pelas histórias do mundo. Somos muito isto: contadores de histórias. Gostamos sempre de chegar a casa com uma novidade para contar. Gostamos de rotinas. Somos pessoas que não se contentam com pouco, nem na nossa própria vida, nem nas pessoas que nos rodeiam. Exigimos muito delas e sabemos isso. Mas também damos grandes partes de nós em troca. E quando sentimos que não há retorno, temos ainda a capacidade de desvincular rapidamente. Como se estivéssemos treinados para combater isso. 

"Pensamos muito." Às vezes, pensamos demais, é verdade. Conspiramos um bocado. Temos aquele vício enorme de procurar o pior nas pessoas e só depois as aceitarmos. Mas somos assim. E são partes como estas que fotografam o nosso caminho. Aceitamo-nos como somos, exatamente por sermos os dois, em conjunto, muitas destas coisas.

Tenho muito orgulho nele. E acho que ele o sabe. Mesmo sem estes textos ou o típico Feliz Dia do Pai, Papá, ele sabe que nós o vemos como o exemplo


P.S: Tenho a certeza que ele vai adorar o facto de ainda ter cabelo nesta foto. Ah e, para o caso de abrires este link agora mesmo papá, logo há bolo.

Likes

Comments


Depois deste estágio, a maior conclusão foi que: preciso de criar uma rubrica.

Likes

Comments

O meu primeiro estetoscópio! yeeeeei

A verdade é que tenho andado um bocado atarefada estes dias, mas isso não me podia impedir de partilhar convosco o riscar de mais um desejo, o avançar nesta minha etapa de mini médica. Desde o início que sabia pouco sobre aquilo que queria num estetoscópio, a única coisa de que tinha a certeza era que não queria um estetoscópio com "cor única". Essencialmente por achar que a probabilidade de alguém na faculdade ter um estetoscópio cor de vinho (primeiras ideias para a cor, no primeiro ano), por exemplo, era enorme. E não é que eu tenha uma espécie de mania de deter toda a exclusividade que existe no mundo, mas a ideia de muita gente andar semelhante, com uma coisa que é tão nossa, tão especial, fazia-me alguma confusão (a mim. É claro que cada pessoa tem os seus gostos particulares e pode nem perder 1% do seu tempo a preocupar-se se o vizinho do lado também tem o mesmo gosto). Mas bem, feitas as análises, até hoje, não vi sequer uma pessoa com este estetoscópio e, mesmo que veja, não me entristece, porque sei que não é uma coisa comum, nem tão pouco a cor me aborrece. Aliás, estas cores fascinam-me!

Ainda que se sintam tentados a pensar que ele é dourado (porque as luzes da fotografia ajudam a pensar que sim), ele na verdade é composto por duas cores: castanho e uma espécie de bronze que se assemelha muito ao dourado, nesta foto. São cores que me identificam imenso. Se eu pudesse escolher uma só palete de cores para vestir para o resto da vida, essa seria uma palete nude. Com tons térreos e quentes. 

O primeiro dia em que o usei foi na segunda-feira, dia 22/2/16. E que bem que me senti. Posso mesmo dizer que foi a melhor segunda-feira da minha vida! Senti-me a mesma Inês, mas crescida, como se de um segundo para o outro (e é claro, com ainda algumas limitações no uso do estetoscópio) eu fosse um pedacinho mais médica. Acreditem que mesmo depois de ter concluído este primeiro semestre (bem violento), do qual tenho muito orgulho, nunca uma sensação deste tipo - de realização pessoal - me assolou. 

Estou no caminho certo, com os acessórios certos. 

Likes

Comments


1º semestre do 2º ano - finalmente! - concluído. Os livros que eu - finalmente - arrumei. As gavetas que fechei na minha mente. Os sonos que vou, finalmente, repôr. Os posts que estão para vir...! Aquela saia de ganga que me ofereceram no Natal sai, amanhã - e finalmente - do meu armário. Vou divertir-me à séria! Girls night out. Life is good, again.


Likes

Comments



Há um ano atrás, faltavam exatamente três dias para o meu primeiro exame da faculdade. A oral de Anatomia. Tive um semestre inteiro para deixar a pressão acumular-se e, tendo cerca de 15 dias de "férias" até ao exame, eles foram passados sobretudo a pensar. A pensar em como não iria conseguir. Em como as palavras não me iriam sair da boca. Em como - imaginem só esta - o meu sotaque nortenho (que nem é o mais vincado) ia fazer com que as pessoas não me levassem a sério no dia. Em como tudo. A minha cabeça não parava de calcular o tempo que faltava para o exame, o tempo que não podia perder, durante o dia, nem a comer, para ir logo logo estudar de seguida. Na minha mente, imaginava um empenho que estava a aplicar sobre a prova, quando na verdade, só me estava submeter a quantidades industriais de stress físico - porque as noites começavam a ser muito mal dormidas - e psicológico. 



Toda a minha vida, lidei bem com as minhas obrigações. Os meus pais sempre me proporcionaram uma vida extraordinária, sempre se esforçaram imenso para me fazerem sentir especial e amada e eu devia-lhes - e sobretudo a mim mesma - empenho, esforço e luta por uma boa vida. E isso passava, não só mas também, pelo meu sucesso escolar. Aprendi a ter deveres e a saborear o direito de ser boa numa coisa fundamental: o trabalho.

Quando cheguei à faculdade, principalmente a um curso em que se exigia o melhor dos "melhores alunos", essa sensação de confiança naquilo que eu sabia foi-se perdendo, inicialmente. Foi como se começasse do zero. 

Esta semana, voltei a relembrar-me de tudo aquilo que aconteceu há um ano atrás. Por um lado, o encanto pelas matérias, pelo que um dia poderia vir a ser, a paixão pelo verdadeiro conhecimento que ia detendo. Por outro, a insegurança e o primeiro ataque de ansiedade - e único - que tive na minha vida. Durante dias, senti-me mesmo um vegetal, num impasse entre o que iria acontecer - o exame - e o que eu queria sentir: alegria e motivação por estar onde estava. 

Um ano depois, agradeço que tenha passado por isso, por muito masoquista que isso pudesse parecer se eu dissesse isto a mim mesma há um ano atrás. Posso mesmo dizer que esse foi o pior momento da minha vida, até hoje. As piores semanas. O pior sentimento em relação a mim mesma. Mas também posso dizer que, sem ele, eu não teria parado. Parado para me pôr em primeiro lugar. Para voltar a acreditar que a) eu tinha um cérebro e b) toda a vontade do mundo para um dia vir a ser médica e que, juntos, podiam ir longe. 


A vida não é, nem nunca será, uma linha contínua e certa. No entanto, todos os dias são certos para decidirem o que querem que ela não seja e o que querem ser para ela. Posso dizer que a minha ficou bem mais bonita e com sentido depois de eu ter conseguido olhar para mim, de fora. Não dependeu só de mim tirar-me de um sítio escuro como aquele em que estive transitoriamente. A minha família esteve comigo. Eles sabiam que, mais importante do que um exame, era eu. E devo-lhes o meu "virar da página". 


Sejam pacientes convosco. Nenhuma "obrigação" - seja ela de que teor for - vale mais do que vocês mesmos.

Likes

Comments