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Hoje, depois de quase um mês de férias, depois de visitar Dublin e passar duas semanas com meu namorado no Norte da Alemanhã, voltei a Ingolstadt. A cidade me esperava vestida de branco e silenciosa, como já imaginava. Além de mim, só os faróis solitários dos poucos carros que subiam, desciam e viravam a rua, iluminando os montes de neve que empilhados na calçada, pareciam esperar pra atravessar. Meus passos de meias grossas faziam o gelo embaixo das solas da bota chiarem. Atrás deles o ronronar das rodinhas da mala que eu puxava.

Eu me senti exposta, mesmo embrulhada em casacos e cachecóis, como um presente para o inverno. Eu me senti sozinha e longe de tudo. Pra ser sincera, eu tava com medo, e eu só me sinto assim quando grandes mudanças estão vindo.

Exatamente há um ano atrás, eu entrava num avião em São Paulo, deixando pra trás um par de gatos em casa, um pai com um sorriso dolorido numa rodoviária, uma mãe se segurando pra ser forte e uma irmã com olhos marejados em um aeroporto. Um ano. Me pegou de surpresa e eu fiquei sem ar por um segundo.

Enquanto eu caminhava, me perguntei se fui realmente eu quem traçou meu caminho até aqui. Baseado em tantas pessoas que cruzaram meu caminho nesse meio tempo, quantas dessas decisões foram mérito meu? Quantas desses sopros de sorte, foram realmente aleatórios?

De Rostock pra Ingolstadt, eu olhava as arvores franzinas e enfileiradas, cobertas com um manto branco e macio. "Alemanha", eu pensei. Ainda é surreal estar tão longe de casa.

Eu descobri nesse um ano que tenho espinha de gato. Flexibilidade é a palavra-chave de ter 'sobrevivido' por tanto tempo à mercê das oportunidades que foram aparecendo 'do nada'. Hoje foi um dia de reflexão, de olhos lacrimejando, de saudade de casa, de saudade de um abraço quentinho do Julian, de uma palavra dos meus pais que acalmasse meu coração.

Saber calar a saudade também foi outra coisa importante. Não é que eu não sinta nada, mas eu guardo aqui numa portinha que ninguém vê, porque eu acredito que isso me dê força, que dê confiança pra minha família e que me ajude a ir pra frente.

Eu não sei o que existe nessa porta que se abre, mas além da espinha de gato, eu também tenho a curiosidade. Mas que não tenha do gato curioso o mesmo destino. x_x

Obrigada a todo mundo que me acompanhou até agora aqui pelo blog. É muito bom compartilhar meus caminhos confusos com vocês e não me sentir tão perdida. <3 E deixa nevar, que tá bonito.

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2016 for definitivamente um ano que mudou minha vida. Pra começar, to escrevendo esse post em um ônibus a caminho de Rostock pra visitar meu namorado depois de passar o natal com duas amigas na Irlanda.

2016 foi o ano que tudo mudou, em que tudo muda o tempo todo. O ano que eu aprendi a ser forte, a ser determinada e também a deixar pra lá, deixar o destino tomar as rédeas de vez em quando. Eu aprendi que eu não tenho controle de quase nada que acontece na minha vida e que talvez nunca tive.

Esse ano me abriu as portas com os pés, me mostrou o mundo, me mostrou sentimentos que eu desconhecia, me descobriu e me formou. Tive a insegurança de mudar de país mais de uma vez, tive a coragem de trabalhar por conta própria, de dividir a casa com pessoas desconhecidas, de conseguir me acalmar enquanto chorava sozinha no chão do banheiro - de saudade, de falta de dinheiro, de medo. Esse foi outro que eu coloquei na coleira. Descobri que o medo a gente guarda no bolso e continua andando, que a gente sai na rua mesmo com chuva, mesmo com vento tão forte que te faz tropeçar, mesmo com as mãos congeladas e mordidas pelo frio.

Descobri que as pessoas são incríveis, são boas e que quando temos uma boa criação, isso transparece. Muitas vezes falando sobre meus pais ouvi "consigo dizer que teus pais são muito bons só pela maneira que tu se comporta, tens valores". Essa bagagem, mãe, pai, Jô, vó, Lucas e todas as pessoas que estavam lá pra me puxar a orelha, me botar na linha, ela é pesada e valiosíssima; e não importa onde eu vá, carrego ela comigo. Obrigada.

Aprendi a dizer o que eu sinto com mais frequência e calar o que eu penso de vez em quando, especialmente sobre mim mesma.

2016 me mostrou que é fácil se mover, desde que seja pra frente. Não tem problema em tropeçar ou andar devagarinho, desde que seja pra frente.

Esse ano percebi como é especial ter amigos e mesmo os parentes que não víamos há 9 anos, só de estarem no mesmo continente, enchem nosso coração de alegria.

Descobri que eu sou muito parecida com uma pessoa que cresceu em outro país e mesmo com uma cultura oposta à minha, teve uma criação similar, divide os mesmos valores que eu e teve caminhos pares na vida. E que também muitas vezes as culturas são tão diferentes que muitas coisas precisam ser explicadas - e sem julgar!

Descobri que comida barata também é boa, que tênis de marca também se acaba na chuva e que a Renner é cara pra caramba!

Esse ano foi um ano de me despir de tudo, dos meus rótulos, dos meus luxos, minhas opiniões.

2016 chega ao fim, eu ando nua de quem eu era, terminando o ano extremamente grata e me perguntando: afinal, quem sou eu?

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2016 foi um ano doido e cheio de mudanças. A ideia era já estar de volta no Brasil em Setembro, mas a vida tem um plano diferente às vezes e acabei me mudando pra Alemanha.

A ideia era visitar a família em Dezembro pra poder passar o Natal e o Ano Novo perto de todo mundo, mas com as passagens caríssimas, tive que ficar por aqui.

Como Natal todo mundo vai pra perto da família, resolvi ir pra Dublin, porque sabia que duas amigas também estariam sozinhas por lá, então nada melhor que juntar a desgraça, né? Haha Tem vídeo disso aqui.

Tava com medo de ficar melancólica, de ficar com muita saudade, de transbordar, mas o que aconteceu me surpreendeu: eu transbordei, sim, mas de amor!

Estar de volta em Dublin foi uma sensação que eu nunca tinha experimentado até então. Antes de vir pra Europa, eu sempre tinha morado em Floripa, então não sabia como era revisitar um lugar que já se morou antes. É uma sensação engraçada, difícil de descrever, mas pra mim pareceu que eu nunca deixei de morar lá.

Eu sabia todas as ruas de cor, o som das gaivotas fedorentas no céu, dos feirantes oferecendo seus produtos daquela maneira passiva agressiva, as flores expostas no vento e na chuva, as pontes eram as mesmas por 200 anos e as estátuas me olhavam como quem lê livros por trás de lentes muito grossas.

As amigas eram as mesmas e eram as mesmas. Conversamos sobre as novidades, mas rimos do que riríamos em Maio. Eu não estava só uma hora atrás no fuso, eu tava 4 meses no passado e Dublin continuava Dublin: aguda, com o r puxado e pontilhada de Starbucks.

Para a ceia, decidimos fazer lasanha de beringela, salpicão e farofa. Tudo simples, afinal, quem sabe fazer coisa complicada é mãe e a minha tava a uns 7000km de distância.

Um outro amigo da Domi se juntou a gente, comemos, bebemos vinho e jogamos Uno. Nossa oração de Natal foi pedindo por coragem, porque o caminho pra quem vive longe da família requer muita!

No fim da noite, cheguei à conclusão de que viver fora do país é pra poucos, sim. Precisa de estômago e de um coração flexível e elástico, que se aperta pela família, mas abraça os amigos e puxa eles pra perto.

Não poderia ter feito melhor escolha em ter revisitado esse lugar cheio de lembranças - boas e ruins. Quem tem amigos, tem tudo e eu tenho uma cidade inteira!

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Minha primeira visita à capital Alemã foi há mais ou menos um mês (eu acho), mas as folhas das árvores ainda estavam amarelinhas e segurando firme - já caíram quase todas e estão marrom cocô. :(

No primeiro encontro meu e do meu namorado ele me chamou pra ir pra Berlim com ele (ele é de lá), achei estranho, então só falei um "vamos ver, quem sabe mais pra frente, né?". Então, mais pra frente resolvi ir.

Berlim fica a umas 6 horas daqui de Ingolstadt, como diria Bial "a peleja é longa". Saímos numa sexta perto das 16h e a estrada tava tranquila. Aqui na Alemanha não existe limite de velocidade. Teoricamente, se teu carro viaja na velocidade da luz, pode ir que tá tranquilo. Ainda acho estranho.

Chegamos em Berlim acho que era umas 21h, não lembro mais, mas ainda tava anoitecendo. Deixamos nossas coisas no apartamento da mãe do Julian (que eu tava tendo uma taquicardia porque ia ter que conhecer no dia seguinte) e fomos comer alguma coisa. O bairro que ela mora é longinho do centro, tem que ir de ônibus, então era bem vivo, mas ainda era tranquilo. Nosso plano era nos encontrar com os amigos dele em um bar que tava tendo uma noite de Salsa - carcule! - e que, inclusive, seriam os mesmos amigos que eu tinha conhecido na Oktoberfest e que eu veria pelados em algumas semanas na sauna. D:

A festa tava legal, na volta comemos um hambúrguer de soja e na estação, um grupo de espanhóis zoou a gente porque eu sou Juliana e ele é Julian. -_- Povo sem cultura.

No dia seguinte, o Julian me levou nos quatro cantos da cidade e voamos pelos pontos turísticos pra dar tempo de ver tudo! Primeiro fomos no KaDeWe (abreviação pra Kaufhaus des Westens, algo como "Casa de Compras do [lado] Oeste [do muro]"), que é um shopping de uns 6 andares que vende TUDO que se possa imaginar, de vela à bonecos de madeira ao estojo-maleta comemorativo de 250 anos da Faber Castell (sim, ele existe de verdade! Aliás, os materiais que eles vendem lá são tão caros, que na sessão da Faber Castell tinha até um guarda pra ninguém roubar os lápis D:). O Julian me disse que esse shopping tem uma importância histórica pra cidade, porque quando o muro de Berlim caiu, as pessoas que moravam do outro lado, não tinham acesso à produtos simples, como banana e meias de nylon, então todo mundo ficou doido no KaDeWe, porque era onde podiam comprar todas essas coisas diferentes pela primeira vez. Ah, no shopping também tinha uma réplica do Portão de Brandemburgo de marzipã.

Bem na frente do KaDeWe tá a Gedächtniskirche, uma igreja que foi bombardeada em 1943 e tá despedaçada até hoje, mas tá linda. O pessoal da cidade chama ela de "der Hohle Zahn" ("O Dente Oco" D:). Depois vimos a Torre de TV de Berlin (Berliner Fernsehturm), o famoso e enorme Muro de Berlin cheio de pinturas e grafites de vários artistas (com o comentário fofo do Julian apontando pra uma parte vazia do muro "olha, tão guardando espaço pra ti!" <3), o Portão de Brandemburgo (de verdade) e o Parlamento Alemão, que tinha umas 800 bandeiras da Alemanha, só pra pessoa ter certeza que tá no lugar certo. Passamos por uma praça que o nome era 18 de Março, aniversário do meu primo Lucas e tive que tirar uma foto pra mandar pra ele! Também passamos na frente do hotel onde o Michael Jackson segurou o bebê pela janela! No caminho de volta ainda vimos a Torre de Rádio (Berliner Funkturm) toda se querendo e piscando. Tem vídeo disso tudo aqui!

De noite, cozinhamos uma janta, porque a mãe dele tava chegando de viagem de Amsterdã com o irmão dele e eles iam chegar com fome.

Conhecer a família do Julian me deixou bem nervosa, não sabia muito bem o que eles iam achar de mim, até porque eu sou bem esquisita. Mas a mãe dele foi bem querida, quis saber da minha vida. Ela é uma pessoa bem calma, com uma feição tranquila. Acho que isso ajudou a me acalmar. haha

Depois da janta fomos à um barzinho que chama Kumpelnest 3000 (significa "Ninho dos amigos 3000", ou algo assim), esse lugar a mãe do Julian que mostrou pra ele e ela ia lá nos anos 80, antes da queda do muro ainda! No caminho pro bar, passamos por uns cassinos bem bizarros e veio a pergunta do Julian, mais bizarra ainda "quer ver onde ficam as prostitutas?", eu dei uma gargalhada e falei "Miniiinu, tu não sabe de onde eu venho" - moradores de Campinas entenderão. Ele achou engraçado - ainda bem! Chegando no Ninho, ele era pequeno, mas bem animado, cheio de luzinhas coloridas, coisas extravagantes e pessoas excêntricas. Me senti bem à vontade, me lembrou um Blues Velvet, de Floripa, mas mais doido. Voltamos pra casa mortos.

Berlim tem ônibus a noite inteira durante os finais de semana, achei bem útil!

No Domingo, a gente ainda tava de ressaca, meio zoados. O Julian me contou histórias sobre a vida dele, sobre uma moeda comemorativa que ele ganhou num congresso. Passei bastante tempo conversando com a mãe dele, também. Ela disse que gosta de gatos e eu não perdi a chance de mostrar meus fiótis pra ela! Que saudade deles, cara!

Tive uma primeira impressão muito boa da cidade. Berlim é uma panela de opostos: cores e concreto, antigo e novo, vidro e mármore. A cidade tem um coração artístico muito vivo e isso se mostra em lambe-lambe pequetito numa placa ou num enorme e maravilhoso mural do ROA escondido em um terreno baldio (o primeiro que eu vi pessoalmente, foi apaixonante). Ver Berlim foi revigorante, tem tanta coisa lá fora e como bom ter alguém que segure tua mão durante o caminho!

Esse país é casual, ele joga coisas incríveis na minha rede e faz disso pouco caso. Eu to pescando, Deutschland, eu to pescando tudo.

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Meu deus! Eu esqueci de postar qualquer coisa sobre a Oktoberfest! Se bem que eu nem me lembro muita coisa daquele dia, mas eu vou tentar!

O dia que a gente foi na festa, ainda nem era Outubro, era 24 de Setembro! Eu lembro bem porque fazia exatamente um mês que eu tinha me mudado de Dublin pra Ingolstadt. Tava quente ainda e os dias ainda eram longos, com nuvens branquinhas no céu azul!

O Julian me convidou pra ir junto com ele e os amigos e eu tava meio apreensiva, mas no fim das contas resolvi ir. A Silke me empurrou também, disse que era uma oportunidade muito legal e, provavelmente, se fosse pra ir sozinha eu ia acabar nem indo, né?

Saímos no Sábado mesmo e nos encontramos com os amigos dele perto das 11h. A Oktoberfest é enorme! Tem um milhão de brinquedos de parque, mil tendas e quiosques de comida! Eu nunca tinha ido na Oktober de Santa Catarina, então também não sabia muito bem o que esperar - como sempre.

Sentamos na mesa, todo mundo me tratou super bem, queriam saber de onde eu era, como era no Brasil, o que eu fazia na Alemanha, como tava meu Alemão, essas coisas. Com o ingresso que a gente comprou, cada um tinha direito a dois chopps, uma comida do cardápio e um frango. No fim das contas conseguimos trocar meu frango por cerveja, porque carne eu não consumo mais, já a mardita... Claro que não aguentei três chopps, até porque cada caneco era do tamanho da minha cabeça. Literalmente.

Comemos uns "dampling" (não sei como se escreve) e um macarrão com queijo, que acredito que se chame Spätzler. Eu não tava com a mínima fome, só belisquei. Era cerveja demais - e era bem gostosa!

Tá aí uma coisa que aprendi aqui na Europa, beber cerveja. O Marquinhos, meu cunhado, até que tentou algumas vezes, mas acabei só rodeando as cervejas frutadas. Me interessei mais depois de morar em Dublin, até porque destilados custam os olhos da cara. Quase literalmente.

Depois de 2 chopps e meio (não lembro quem terminou aquela outra metade, deve ter sido o Julian), resolvemos arredar o pé e ir dar uma volta. Lembro de uma vez minha mãe me dizer que "beber sentado é arriscado". E é mesmo, quando levantamos que percebemos o grau da situação.

Saímos andando pela festa e o Julian me convenceu a ir num brinquedo que subia numa esteira e descia num tapetinho por um tobogã. A Juli bêbada achou uma boa ideia (a Juli sóbria tem medo de altura) e tudo correu bem, até melhor do que eu esperava. Nem caí.

Nesse dia também, ganhei um balão de unicórnio e fui pedida em namoro. Hehehehehehe O fim do balão foi triste, tava amarrado no meu relógio e ficava voando na minha cara e batendo nas pessoas, porque eu tava desgovernada e o Julian disse que a gente tinha que se livrar dele. A Juli bêbada achou uma boa ideia (a Juli sóbia ficou chateada).

Eu disse que só daria o balão pra alguém legal. Nisso avistei uma senhora que devia ter uns 65 anos com o cabelo vermelho fogo! Ah, era ela! Perguntamos se ela queria o balão, ficou toda feliz e disse que sim. Foi a gente atravessar a rua, vimos um outro cara aleatório colocando meu balãozinho no porta mala, como uma vítima de sequestro. :( Será que ele terminou com um pervertido dos balões? Ou com uma criancinha inocente? Nunca saberemos.

Últimas cenas felizes com meu balão. Essa queimação de filme virou foto do perfil do Facebook e teve 85 likes. D:

De acordo com o Julian, andamos por quase uma hora até chegar no "bar preferido dele". Mas pareceu menos. Eu tava ruinzinha, só queria tomar água. Ele ainda pediu dois Moscow Mule, porque era "o drink preferido dele" e ele queria que eu provasse. Dei duas bebericadas e não consegui mais. D:

Dali foi ladeira a baixo: fui no banheiro e vomitei todo o "dampling" e depois tirei uma soneca no ombro do Julian enquanto ele conversava com um amigo que se juntou com a gente. Na ida, o amigo dele tentou roubar um copo indo embora de bici e eu e o Julian fomos comprar pizza.

Eu já tava revivendo, mas só comi uma fatia e não quis mais. Ele comeu todo o resto da pizza no caminho de volta.

Acordamos na maior ressaca no dia seguinte, tomamos café num lugar bonitinho, mas com o garçom mais destrambelhado que eu já vi. D: De lá, pegamos o caminho da roça de volta pra Ingolstadt.

Ah, foi também minha primeira visita à Munique, que eu só conhecia o aeroporto até então. Acho que pra minha primeira Oktoberfest, eu me saí muito bem. A Juli bêbada se divertiu muito (a Juli sóbria nem tanto).

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Do dia 29 de Agosto até o dia 4 de Novembro a família saiu de férias e eu fui junto na mala! Aqui na Bavária existe esse feriado bizarro que chama Férias de Outono (nunca ouvi falar disso, mas ok), então minha host family (família hospedeira, em Português, mas soa super estranho, né? Parece que eu sou um parasita. Talvez eu seja. D:) decidiu ir pra França, mais exatamente pra Colmar. Não conhecia a cidade, então nem me empolguei, só sabia que ia ficar 4 horas num carro com duas crianças e um bebê e passar o Halloween e meu aniversário ilhada. Não parecia muito promissor.

Enfim, saímos daqui por volta das 11 da manhã, preparei meu audio book (aliás, pessoal com conta no Amazon, baixem o Audible, é um aplicativo do site e quem se cadastra ganha crédito pra ouvir um livro de graça! Eu já fiz mil contas falsianes. D:) com Matadouro 5, do Kurt Vonnegurt ("so it goes") e lá fomos nós. A Marie (o bebê) estava entre eu e a Anja (se lê Ânia, que nem o nome da Anastácia antes de ser ryca) e na frente foram o Felix (de 12 anos) e a Silke (a "mãe hospedeira" - tô rindo aqui!).

Surpreendentemente a Marie dormiu a maior parte do caminho - que foi longo, porque pegamos uma fila imensa - mas em compensação fez um rio de xixi que nem a fralda segurou, passou pra blusa, pra meia calça, pra cadeirinha... Todo mundo quis morrê! D: Mas isso resolvido, ainda tínhamos muito chão pela frente.

Finalmente chegamos perto das 9 da noite, pensa no drama e todo mundo exausto. Cada um tomou seu banho e foi pra cama. O lugar que ficamos era bem próximo do centro de Colmar, mas até aí eu nem tava impressionada porque era de noite e não dava de ver muita coisa.

No dia seguinte saímos para explorar a cidade. E ela é um mimo! Cheia de casinhas coloridas e ruas charmosas, parecia que fomos transportados pra um outro tempo!

Alguns dias depois, quando fizemos um tour de trenzinho (trenzinho da alegria pra velho), descobri que a cidade não foi atingida durante a Segunda Guerra e portanto estava do jeitinho que sempre foi! Ah, também descobri que as pessoas da cidade correram com os judeus de lá porque eles estavam "espalhando doenças por lavar demais as mãos". Bom, não se pode ter tudo nessa vida.

Também passeamos por um parque com um carrossel de 1900! Não é todo dia que se pode dar uma volta num carrossel de 116 anos! Fiquei encantada - e tonta!

Também visitamos o Musée du Jouet (Museu dos Jogos), que fora ter um tabuleiro do Jumanji, foi o lugar mais macabro que eu visitei durante aquela semana lá. D: Tirei uma foto pra vocês poderem imaginar o que tinha por lá.

Essa parte da França pertencia à Alemanha antes da guerra acabar, mas hoje em dia são pouquíssimos os resquícios de que ali já foi solo Alemão. Tudo é em Francês, os costumes também, mas eu consegui encontrar um pub com o nome de Schlüssberg. :D

Nosso último dia foi meu aniversário e foi um dia bem bom. A volta pra casa também foi tranquila. Consegui terminar meu livro - bem interessante, por sinal, indéco! E foi um lugar bem diferente pra visitar, muito provavelmente não programaria uma viagem pra lá por conta própria, portanto acredito que tenha sido uma oportunidade valiosa pra conhecer uma parte da França tão original. Alias, tem vídeo de lá também!

Se um dia alguém torcer o nariz pra Colmar, destorce porque vale muito a pena ver pessoalmente as casinhas coloridas e as ruas intocadas dessa cidadezinha!

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Um dia depois do ballet em Munique, fui pela primeira vez na vida numa sauna. Concordei de ir numa boa, até que algumas semanas antes, em Berlim, a caminho de um pub, o Julian me disse casualmente que a sauna era todo mundo pelado. Eu ri e ele continuou sério "achei melhor te contar, caso tu não soubesse". Fui o caminho todo meio traumatizada olhando pros meus sapatos enquanto a gente caminhava, ponderando se era humor alemão ou não. Não era.

Depois de ter uma taquicardia e um ataque de ansiedade, bora pro Google. "Sauna alemã" na pesquisa. Realmente, as saunas eram famosas por todo mundo estar usando a roupinha de quando veio ao mundo: nenhuma. Depois pesquisei "o que levar para uma sauna alemã". Vai que... Mas no fim era só o de sempre, roupão, toalha, biquini, chinelo...

Quando o dia chegou, eu ainda tava meio perturbada com a ideia de todo mundo vendo minha pepeca e minhash mamicash (como diria os manézinhos), mas fazer o quê? Eu concordei com a ideia, já tava lá, então vamos, né.

O lugar que a gente foi chama Erding Therme, também não tirei nenhuma foto por motivos óbvios, mas roubei essa no Google.

Só pra constar: essas pessoas aí tão todas com as tetas de fora. :)

Primeiramente, o lugar é enorme. Sério. É enorme. Tem piscina, tem banheira, tem massagem, tem um milhão de saunas de temperaturas e temas diferentes, tem área pra relaxar, tem área pra pelado, área pra biquini, tem restaurante, tem barzinho na água, fora da água, piscina de sal, de enxofre, de cálcio... cara, tem até parque aquático. D:

Eu acho engraçado como eu nunca sei o que esperar das coisas e me impressiono super fácil. Lucas, acho que esse dia foi o dia que eu mais fui Loirinho Abismado, acho que esse é o significado verdadeiro de abismado.

Na rua estavam 3 graus quando descemos do trem. Eu, o Julian e mais uns 10 amigos e amigas dele. Todo mundo encasacado, escondido atrás do cachecóis. Quando finalmente entramos no lugar, era um vestiário enorme, cada um com sua cabine e também com um número de armário pra guardar o excesso de roupa.

Eu estava super ansiosa, copiava tudo o que Julian fazia, porque não sabia quando era pra ficar pelada, já tiro a roupa aqui? Tiro lá? Fico de roupa? Que que tá com tecenu? Ele não tava nem aí, por ele já tava pelado desde o caixa.

Entramos pela parte onde só se podia tá de roupa, que era uma área com piscinas, restaurantes, várias crianças brincando e era também a área onde tinha o parque aquático. Passamos pela catraca e já dava de ver algumas pessoas bem a vontade tomando um solzinho (artificial) onde o sol não bate.

O Julian nem perdeu tempo, já ficou pelado e enrolou uma toalha na cintura. Eu tava lá de biquini feito gato na chuva, segurando minha toalha bem tímida. Eu não tava confortável no meu biquini também, ele me apertava em todos os lugares errados. Ele disse que eu podia ir no banheiro me trocar. "Me trocar" fiquei pensando, não tinha roupa pra "trocar", era só tirar. Enfim, entrei no banheiro, fechei a portinha e tirei o biquini - tchau, aperto! - me enrolei na minha toalha e lá fui eu.

Pra chegar na área das saunas, passamos por várias piscinas, inclusive na rua, com uns pelados dentro parecendo aqueles macacos da neve japoneses que tomam banho em pisicinas naturais de água quente.

Chegamos numa área onde existia uma placa: ei, daqui pra frente só pelado, viu? Tava em Alemão, mas até eu entendi a mensagem. Eu já tava pelada mesmo, mas de toalha, aliás, a maioria das pessoas não ficava andando peladona, usavam roupões de banho ou toalhas.

Decidimos entrar na piscina, agora sim, todo mundo pelado. Tava insegura por causa dos meus pneuzinhos, minha pochetinha e meus peitos de formato estranho. "Todo mundo vai olhar" eu tava pensando, ansiosa e curiosa. No fim das contas, tirei a toalha e os chinelos e pronto! Eu tava igual a todo mundo.

Me apressei pra entrar na água "pra me cobrir". Mas aos poucos fui ficando mais confortável e depois de um dia inteiro pelada, colocar roupas é que foi esquisito. Me senti mais desconfortável no meu biquíni esmagador do que sem ele.

As saunas também era todo mundo pelado, sentados em uma toalha e suando feito porcos. Mas não existe nada de sexual, as pessoas tratam a nudez super naturalmente. Eu me senti muito bem sem roupa. Por mais estranho que isso seja. Me desamarrei de muitas repreensões que existiam e, pra ser sincera, não vi nenhum corpo de modelo ou nenhum mister mundo andando por lá. As pessoas eram simplesmente... pessoas e todos os peitos eram de formato estranho. No fim das contas, eu era normal.

Fomos em uma sauna que alcançava 95 graus e me senti um frango no rolete. Minha pele ardia, não dava de respirar. Mas quando saímos de lá, o ar gelado era tão gostoso! Saía fumacinha das pessoas e respirar aqueles 3 graus Celcius da rua era revigorante.

Depois de tanta sauna, resolvemos ir pro parque aquático - de roupa dessa vez. O Erding tem o maior tobogã de túnel do mundo e também o "tobogã oficial da competição de descer tobogã" - o que quer que isso seja. Um dos tobogãs alcança a velocidade de 75km por hora e é proibido pra mulheres (aparentemente pode danificar o útero, mas sei lá, ninguém botou fé nisso e a justificativa do parque é que os biquinis são menores que os calções dos meninos), Não que eu quisesse descer num negócio desse, mas né.

No caminho pra casa eu tava exausta. O choque de temperaturas o dia inteiro, além de subir e descer as escadas dos tobogãs me gastaram a bateria. Na estação, enquanto todo mundo conversava energicamente em Alemão, nós dois conversamos sobre a teoria do Determinismo, em que tudo no universo segue leis necessárias que a gente não pode mudar, que faz o comportamento humano totalmente predeterminado pela natureza, e o sentimento de liberdade não passa de uma ilusão. Fiquei pensando em como era libertante tá peladinha no meio de todo mundo sem me sentir sensualizada. Seria isso predeterminado pela natureza, também?

Eu dormi no ombro do Julian o caminho de volta todo; Vestida com roupas e despida de rótulos.

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Na sexta retrasada, assisti hockey no gelo pela primeira vez! Ingolstadt tem o esporte como tradição e de acordo com a Silke (minha host mom, ou mãe emprestada enquanto eu to aqui trabalhando de au pair) era uma coisa que eu precisava ir ver.

Ouvi que Ingolstadt tem um time super bom que já ganhou uma pá de títulos, os Schwarzer Panther (ou Panteras Negras, em bom Português) e as cores são o azul e branco - igual o Leão da Ilha, ein, mãe! haha

O jogo aconteceu na Saturn Arena, que eu já tinha passado na frente várias vezes, mas achei que era um local pra show, sei lá, não imaginei que tinha jogo de hockey lá dentro. D:

A arena não era muito grande, mas estava bem cheia e Ingolstadt jogou contra Düsseldorf (nas cores McDonald's: vermelho e amarelo), que só tinha uns 10 torcedores na arquibancada. :(

Na abertura do jogo, um mascote vestido de pantera animou a torcida do Ingolstadt e os jogadores saíram por uma cabeça de pantera inflável com fumaça saindo pela boca!

Quando os integrantes do time foram apresentados, o narrador falava o primeiro nome e a torcida gritava o sobrenome. Existe uma interação bem bacana entre o narrador e a torcida durante o jogo todo. Toda vez que Ingolstadt marcava um gol (ou Tor, em Alemão!), o narrador falava o primeiro nome do jogador que marcou, a torcida completava com o sobrenome, depois o narrador perguntava o placar, dando o nome do time e a torcida falava o número de gols e no final ainda o narrador falava Danke! (Obrigada) e a torcida respondia Bitte! (de nada!) - tudo isso em gritos estilo Coração Valente. No fim até eu já tava na onda.

Hockey é um jogo violento e confuso. Tudo é rápido. O time inteiro tem uns 20 jogadores, mas só 6 estão em campo, não entendi o por que disso até o jogo começar. Os jogadores trocam o tempo inteiro pra evitar exaustão. E quando eu digo tempo inteiro, eu quero dizer a cada 2 ou 3 minutos. Fiquei super impressionada com isso. Nunca tinha percebido isso assistindo pela TV.

Dois tacos foram quebrados e dois paus foram fechados durante o jogo, fora as mil vezes que um jogador foi esmagado contra a proteção do campo (ou rinque, sei lá como chama onde eles jogam).

O placar final foi Ingolstadt 5 x 0 Düsseldorf. E um desses gols foi marcado quando o time do McDonald's achou que seria uma boa ideia tirar o goleiro pra ter um jogador a mais no "campo". O disco foi sozinhão deslizando o caminho todo até o gol. A torcida ficou louca no meio de gritos e gargalhadas.

Pra beber lá, tem que comprar um copinho, estilo festa da UFSC, mas quem não quiser levar pra casa, é só devolver que eles reembolsam o valor. :)

Foi uma experiência muito legal e bem diferente. A torcida também tem uma torcida organizada com tambores, bandeiras e músicas que todo mundo sabe cantar. Pegaram fogo do início ao fim! Foi bonito de ver.

Achei interessante como um esporte tão diferente do que a gente tá habituado no Brasil, compartilha da mesma paixão, da mesma garra e intensidade que a gente conhece no futebol. Mais uma memória pra minha caixinha de 2016! <3

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No dia do meu aniversário, ainda depois de todos os mil eventos que aconteceram, saí pra jantar com meu namorado e ele tinha surpresa mais surpreendente do mundo como presente: tickets pro ballet de Munique! Eu fiquei tão passada com a situação que só fiquei olhando pra ele com um sorrisinho pamonha na cara.

Quem me conhece sabe que eu sou apaixonada por ballet e que há mais ou menos três anos, encarei meus medos de infância e finalmente comecei a fazer aulas, que só parei quando vim pra Europa - mas ainda me pego dançando pela casa.

Apesar de já ter me apresentado uma vez e ter visto várias peças pelo YouTube, nunca tinha assistido ao ballet ao vivo, por isso infartei quando ele veio com os tickets. D:

A peça era Romeu e Julieta (ou Romeo und Julia, em Alemão!) e era só na semana seguinte. Eu fiquei atacada a semana inteira, super ansiosa e já avisei que provavelmente eu ia chorar.

Na sexta, trabalhei até às 17h e 17:30h tomamos rumo pra Munique, que fica a mais ou menos uma hora daqui de Ingolstadt. Tava um início de noite ranzinza e chuvoso, mas eu ainda tava atacada.

Munique é uma cidade bem dinâmica - apesar de nada abrir no domingo. Muitas pessoas, muitos carros caríssimos e todas as lojas que se pode imaginar. Existem também muitos prédios históricos e claro, muitos turistas asiáticos.

O Julian me falou brevemente que a peça era na Ópera de Munique. Até aí não dei muita bola, porque já tinha imaginado que seria num lugar assim, mas quando ele disse "virando a esquina aqui já vai dar de ver" eu não tava preparada pro que "já vai dar de ver".

Eu fiquei tão retardada, que não tirei foto nenhuma. Então roubei essa no Google. D:

O lugar era tão lindo e enorme! Realmente roubava a cena da praça e ofuscava todo o glamour dos porches estacionados à sua direita. Era uma pedrinha de ouro brilhando no meio da chuva.

Como se já não bastasse o lado de fora ser tão incrível, o lado de dentro chegava a ser surreal. A sala onde a peça aconteceria era confeitada de detalhes em todos os lugares que os olhos encontrassem. Eram lustres, estátuas, papéis de parede... O Julian me mostrou o lustre do salão (que não dava de ver de onde a gente tava sentado) e juro, era do tamanho do meu quarto. Era colossal!

Também roubei essa foto aí. D:

A peça era linda, também! A menina que interpretava a Julieta tinha só 19 anos e era só talento! Mas quem roubou a cena de verdade foram os 'amigos do Romeu'. Os meninos deram um show! Saltos incríveis e um milhão de piruetas!

O Julian dormiu no final! Hahaha Na melhor parte quando tava todo mundo morrendo e o maior climão rolando. Mas de acordo com ele "tava só descansando os olhos". Aham!

Na volta pra casa, nevou! Ele disse que era uma neve meia boca misturada com chuva, mas eu achei bonito mesmo assim. Menina de Floripa que foi pra São Joaquim e não viu neve, eu tinha que me impressionar, ué!

Foi uma noite incrível e um presente certamente inesquecível! Quem diria que minha primeira peça de ballet seria na Alemanha na Ópera de Munique, ein! Se isso é tá na pior... Porrãn!

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Hoje foi meu aniversário e por 23 anos meus pais estavam lá, minha irmã também. Meu primo em 22 deles. Sempre foi muito importante pra mim ter eles por perto como quem diz "ei, eu to ficando mais velha de novo, vocês ainda me amam?". Claro que sim. Com velas de números com glitter em um bolo ou velas para os mortos em um prato. Eles me amaram com tudo que podiam.

Desde que saí do Brasil em Janeiro, já vim pensando em como seria meu primeiro aniversário "sozinha". Seria confuso. Não ia ter convite, nem reboliço, nem bolo. Eu não me importei que ele vinha chegando, afinal, eu ia passar com pessoas que eu mal conhecia e que agora estariam tentando me enfiar na família deles. Eu não senti nada, nem esperei nada.

Ontem à tarde eu fiquei completamente sozinha pela primeira vez em 11 dias e eu me senti triste a tarde toda, sem saber bem o porquê. Isolada, meio sem propósito. Mesmo estando fisicamente só, eu me senti milhas e milhas longe de tudo - e de todos. "Descansa e pensa nisso amanhã" um amigo me aconselhou.

Naquela noite eu não fiz questão de ficar acordada até 00:05h, hora que eu nasci. Mas acabei só pegando no sono às duas da manhã.

Enquanto eu tava deitada esperando pelo João Poeira, eu pensei em tudo que tava flutuando dentro da minha cabeça. Eu pensei sobre meus amigos espalhados pelo mundo e eu pensei em amor.

Eu tenho a sorte de ter pessoas que me amam muito em todos os continentes. Tem gente que me leva no pensamento e no coração na Irlanda, na Inglaterra, na Alemanha, na França, na Bélgica, nos Estados Unidos, na Austrália, no Brasil. Amigos viajando pela Ásia e me mandando energia positiva. Quanta sorte eu tenho!

Essas pessoas todas me amam exatamente pelos mesmos motivos e eu nunca pensei nisso até agora. Eu me tornei universal sendo quem eu sou e dividindo minha estranheza com todo mundo. Isso me comoveu.

Pensei o dia inteiro na música Perhaps Love, do John Denver com Plácido Domingo. Me lembra muito meu pai e as manhãs de domingo na nossa casa. Eu não conhecia a letra, só lembrava de "perhaps love" ("talvez o amor") e quando procurei pela letra, me surpreendi. Eu transbordei amor.

De manhã a família preparou pra mim um bolinho tradicional alemão e francês com velas e brilhinhos estilo rei do camarote, além de um parabéns cantado em bom Português é um cartão que as criancas fizeram pra mim!

Antes do almoço, a mãe da família junto com o pai e o bebê foram numa livraria e eu e as crianças acabamos achando uma loja de doces. Adri, nem preciso dizer que a gente se passou, né?

Para o almoço, a família fez reserva num restaurante MUITO fofo, repleto de ursinhos de pelúcia por todos os cantos! E a comida era muito gostosa também! Agora vamos botar o pé na estrada e voltar pra Alemanha (estamos na França já faz 6 dias).

O maior presente que eu podia ter recebido hoje é me sentir amada a 7000km de distância de casa, dos meus amigos e familiares, dos meus gatos. Eu me sinto abraçada e segurada por braços longos que se estendem pelo globo e que pertencem a literalmente um mundo de gente.​

Como se agradece um presente assim? Retribuindo. Espero que vocês sintam o que eu sinto agora. Meu corpo não é tão grande, mas meu coração tem espaço pra todo mundo. Joga um colchão no chão.

Parabéns pra mim, eu te amo também.

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