Header

Quando eu era criança, escrevia livros e revistas imaginários digitando no computador feito com uma gaveta virada ao contrário. Me sentia importante. Quando eu era adolescente, enchia páginas e mais páginas de caderno sobre o quanto minha vida era difícil e sobre o quanto minha cabeça não parava de pensar. Me sentia aliviada. Assim que entrei na faculdade de arquitetura, escrevia quando me sentia perdida e quando meus sentimentos se complicavam demais. Me sentia compreendida. Hoje, com tantas ideias borbulhando na cabeça, pensamentos se acumulando e nenhuma ideia de onde eu devo ir, percebo que a culpa é minha, não estou escrevendo. E então, escrevo.

Vinte e cinco anos completos na última quinta-feira. Aquela menina que escrevia no computador de fundo de gaveta achava que, com essa idade, já estaria longe daqui, vivendo grandes aventuras e sonhando cada vez mais alto. Aquela menina não entendia nada sobre a realidade, não imaginava as voltas que daria pelo caminho e, nem o quanto ela ainda precisaria crescer. Mas esses vinte e cinco anos trouxeram muita coisa além dos sonhos. Tem muita sabedoria e conhecimento próprio, tem muito amor por mim mesma e pela pessoa que vou me tornando, e tem a felicidade das pequenas vitórias do dia-a-dia.



Mas tinha uma coisa que aquela menina sabia muito bem: eu preciso escrever. Já escrevia antes mesmo de saber o alfabeto, antes mesmo de pegar numa caneta ou de conhecer um computador ao vivo. Escrevia quando estava feliz, triste, entediada… Escrevia quando tinha alguma coisa pra falar ou simplesmente por escrever.

Talvez tenha sido a faculdade de jornalismo que me deixou mais crítica com o que escrevo. Mas nem tudo precisa ser perfeitamente claro e coeso. Talvez não tenha problema escolher o verbo “errado” ou falar de um assunto que não é relevante pro público. Talvez eu possa só escrever e deixar que as palavras cheguem onde querem. E se você ainda estiver por aí e quiser me ouvir, seja bem vindo.

Likes

Comments