Drugui Alex.

Me sinto como uma merda de novo. Não sei, me sinto insignificante demais, ruim demais e otária demais.
Não acho que sou boa o suficiente para continuar aqui e analisar tudo contra a minha vontade, o que me deixa ainda pior.
Queria ser como você, como o Renton, como o Spud, como qualquer personagem de livro que seja legal e por pior que o personagem seja ele continua sendo importante para alguma coisa.
Sempre acho que cedo ou tarde vou levantar aos 40 anos e perceber que perdi metade da minha vida não fazendo nada. Como agora mesmo eu poderia tentar tocar guitarra mas estou organizando meus pensamentos inúteis e nada filosóficos porque, aparentemente, algum dia isso terá algum valor sentimental (é claro, se antes não tiver um apocalipse ou um tsunami que possa destruir todos os meus pensamentos e então ficarei órfã, perdida, com fome e sem celular pelo resto de minha miserável vida) ou, existe uma pequena, extremamente pequena possibilidade de um dia eu finalmente conseguir o que quero - logo, não aguento esperar mais - e então lerei isso e apenas pensarei: "For Darwin!! How I was a stupid kid!" e então todos nos recinto darão risada e ficaremos todos bêbados na metrópole, esquecendo nossos problemas futuros-atuais e que a nação é uma merda.
Mas voltando ao centro do assunto, o que realmente pode acontecer e eu acordar aos 40, perceber que não fiz nada do que queria fazer, que tenho um emprego de merda, uma vida de merda, meus filhos serão apenas crianças mal agradecidas e consumistas afim de coisas fúteis como Capricho -não pretendo ter filhos mas provavelmente aos 40, nessa outra realidade de vida de bosta paralela os terei porque se não, não seria eu- minha família desmoronando, um divórcio, estarei acima do peso (apesar disso não ser nenhum defeito mas levando em consideração meu estado mental e minhas ideias de agora, isso é ruim sim), estarei na merda como sempre e então um belo dia resolvo acabar com a minha vida a não ser que ame muito meus filhos mas eles serão egoístas demais para notar que os amo então não dariam a mínima. Porém, nesse dia glorioso do qual vos falo, pegaria uma belíssima Tramontina, afiada, o cano feito de madeira ou com alguma coisa preta de preferência, e então, eis o clímax, o momento mais feliz da minha vida... ~plateia sacudindo as mãos no fundo~, no meu último suspiro apontaria aquela linda Tramontina em direção à minha jugular com toda minha força e rapidez (não quero apreciar nada deste momento, nem o último segundo de minha vida). É claro que alguns segundos depois posso acabar me arrependendo arduamente de meu belo ato, minha cena, meu show, meu momento, mas o que importa é a escuridão do outro lado que não me permitiria voltar a esta sujeira de mundo. O outro lado é o que me interessa, mesmo que seja repleto de sofrimento, torturas e pagações de pecados aqui cometidos. E isso importa? Por que, de qualquer maneira vai acontecer, não vai?

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Eu não me vejo
Você me vê, eu não
E todos a minha volta vêem
Um dia me vi, num passado não muito distante
Mas agora não vejo
e me perco no meu próprio reflexo
tentando me ver porém,
a imagem parece cada vez mais distante do meu ver
Você me vê como jamais verei novamente

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