Seoul, 10 de janeiro de 2016.

O cheiro doce das flores...

Um afoito vento passando...


Ela lembrou das palavras do velho e ainda imersa em escuridão sentiu o cheiro bom de grama verde e molhada adentrar e preencher suas narinas. Lentamente abriu os olhos e os piscou devido à “claridade” do dia. Parecia que iria desabar um temporal, o céu estava cinza e o tempo estava frio dentro dos limites. TaeYeon olhou ao redor e se deparou com um jardim enorme, um dos lugares mais belos que já vira em toda sua vida. Um sorriso surgiu em seus finos lábios rosados, e se pôs a caminhar sentindo a textura macia da grama sob seus pés descalços.


- Pelo amor de Deus, menina, quer pegar um resfriado? Sabe que até isso poderia te matar, esqueceu? - Disse um rapaz quase aos berros ao avistar a garota. Ele então correu em direção a ela e parou horrorizado em sua frente. - Credo! - Disse ele tapando o nariz. - O que houve com você, hein? Andou mergulhando no esgoto? Espere só seu pai te ver assim! Venha, TaeYeon, precisa de um banho urgente! - Agarrou-a pelo pulso.


Estava tão atônita com o falatório daquele rapaz que mal notara que o entendia perfeitamente bem, num idioma completamente diferente e desconhecido por ela. Deixou-se ser puxada até o interior de uma mansão escondida ao longe após o jardim. Entraram às pressas na casa e tão pronto encontraram o dono descendo a grande escadaria. Os olhos dele encontraram o rosto assustado da sujinha e passou uma das mãos pela cabeça, assanhando seus curtos e lisos cabelos grisalhos.


- Não quero nem saber por onde esteve. - Disse imperativo, controlando a vontade de rir de seu mordomo segurando a filha pelo braço em completo nojo. - Suba e tome um banho, te espero em meu escritório. - Kim Beom Soo, era assim que o multimilionário se chamava. Terminou de descer o lance de escada e seguiu para o escritório, permitindo-se finalmente rir de uma das tantas "travessuras" de TaeYeon.



Distúrbio


O mordomo continuou puxando até o andar de cima a garota ainda atordoada. Levou-a para o seu então quarto e a empurrou lá dentro, em seguida bateu a porta atrás de si e a conduziu ao banheiro.


- Por favor, senhorita, entre, tire as roupas e me entregue. Irei queimá-las. - Mantinha a expressão de asco em seu rosto bonito e jovem.


- Queimar? - Finalmente ela pronunciou alguma palavra, e levou as mãos imediatamente à boca, pois não era francês que havia falado. - Queimar? Mas, eu só tenho essas roupas!


- Aish, TaeYeon, pare de gracinhas! Não estou com bom humor para aturar suas brincadeiras. Você tem um closet abarrotado de roupas caríssimas. - Disse empurrando-a pelos ombros. - Vamos, faça o que te mandei. Você fede!


- O-Olha moço, eu não estou entendendo nada do que está falando, quem é TaeYeon? - Heechul, assim se chamava o rapaz, rolou os olhos e bufou. TaeYeon estava outra vez fazendo-se de sonsa e isso o cansava, pois tornava seu dia uma verdadeira bagunça. O problema era que, a francesinha de descendência coreana não estava brincando.


- Tudo bem, se quiser continuar, continue, mas faça o que te mandei sim? - Deu de ombros e virou as costas. Por mais esquisita que toda a situação fosse a menina não queria ser um estorvo, somente por isso entrou no banheiro e fez exatamente o que Heechul havia mandado-a fazer. Abriu uma frestinha da porta e entregou-lhe as peças de roupas maltrapilhas e fedorentas. - Viu Tae? Só faça o que tem de fazer e tudo ocorrerá bem. - Disse ele pegando aquelas vestes com as pontas dos dedos, com o braço esticado enquanto a outra mão voltava a pinçar o nariz. - Da próxima vez mergulhe numa piscina de perfume, por favor. Eu agradecerei profundamente. - E saiu dali quase correndo.


Distúrbio


Se aquele garoto a chamava de TaeYeon, provavelmente, outros a chamariam assim. Pensando bem, não havia nada que pudesse fazer sobre isso. A 'francesinha coreana' encostou a porta e virou, encontrando diante de si um enorme espelho e a união de três pias de porcelana. Ao lado uma grande banheira e logo depois um box. Nunca tinha visto tais coisas. Ficou maravilhada com um cômodo mediano e ao mesmo tempo tão luxuoso. O que deveria fazer primeiro?

Caminhou nua até as portas de vidro e as abriu, com todo o cuidado do mundo para não quebrá-las. Deveriam custar os olhos da cara, e pobre do jeito que era jamais conseguiria pagar o prejuízo. Entrou no espaço e manteve-o aberto, sentia medo de ficar presa ali de algum jeito. Olhou para cima e encarou o chuveiro, não sabia como se chamava, em seu tempo aquilo não existia. Era assustador estar vendo coisas que a quinze minutos atrás não estavam em sua realidade, o que aquele velho tinha feito? Era bruxaria, tinha certeza!

Demorou muitos minutos para descobrir como ligava aquela tranqueira, e tamanho fora seu espanto quando dali começou a jorrar um forte jato de água morna. Nunca tinha visto tanta água vinda de um lugar tão engraçado, tinha vários buraquinhos, mas estava ali e por que não aproveitar? Enfiou-se embaixo do chuveiro e um suspiro de prazer escapou de seus lábios, no exato momento em que seu corpo fora aquecido e ficara totalmente molhado. Dentro do box havia prateleiras embutidas, com frascos e mais frascos de xampus, sabonetes e outros produtos de higiene corporal. Curiosa do jeito que era, a garota logo descobriu para que servia cada coisa. Lavou os cabelos duas vezes e espalhou o sabonete por todo o corpo umas cinco vezes, até que todo o encardido de tempos houvesse saído completamente. Desligou o chuveiro e saiu encharcada do box.

Penduradas num suporte tinham duas toalhas brancas e felpudas, também um roupão de mesma cor e textura. Escolheu o roupão e o vestiu, em seguida olhou-se no espelho e seus olhos brilharam, estavam arregalados. De fato, era outra pessoa! Avistou ali em cima do espacinho na pia escovas de dente, ela tinha noção para o que servia, pois as pessoas usavam já cerdas no século XVIII para limpar a boca inteira. Aquilo não fora uma tarefa difícil de ser executada, a sensação de estar limpa era ótima. Podia fazer isso a qualquer momento sem ter aquele garoto a empurrando e resmungando, dando-lhe ordens. Quem ele pensava que era?


Distúrbio



TaeYeon saiu do banheiro e deixou os olhos vagarem tranquilos pelo cômodo. Era um quarto grande, tinha tudo que suprisse as necessidades de uma adolescente no auge de seus 15 anos. Ela sorriu, não tinha ideia da função de quase todos aqueles objetos organizados e bonitos. Mas conhecia os óbvios, como a escrivaninha, criado mudo, cama e essas pequenas coisas. De repente seus olhos focaram em porta-retratos, correu a curta distância que a separava deles e quando chegou bem perto, notou que nas fotos - que também não sabia o que era - tinha grudada uma garota, aquela pessoa era idêntica a ela! Por isso o garoto estava a chamando de TaeYeon, porque TaeYeon deveria ser a menina da foto.

Lembrou-se que aquele senhor, antes dela sentir o chão escapando de seus pés, chamou-a também assim. Aquilo era muita loucura, realmente era. Não iria se acostumar tão rápido, foi então que também se lembrou do colar. Ela não sabia onde tinha deixado, não sabia onde o tinha deixado cair. Uma coisa ruim atravessou seu corpo, algo dizia que aquele pequeno objeto era mais importante do que aparentava ser. Ainda de roupão saiu do quarto, apressada, ela tinha de encontrar aquele colar.

Desceu as escadas, meio trôpega, em tempos de cair e sair bolando degraus abaixo. Fora quando esbarrou no mordomo.


- Eu quero as minhas roupas! Me devolva minhas roupas! Eu as quero agora!


- Aqueles panos de chão? - Heechul soltou uma risadinha, debochado. - Faça-me o favor! O que iria fazer? Não me diga que as iria vestir de novo?


- Não! Mas... Mas, eu esqueci uma coisa importante que pode estar nelas. Então devolva minhas roupas! - Disse autoritária, e Heechul a ignorou.


- Está falando disso, não está? - O mordomo retirou do bolso o colar prateado e o balançou como pêndulo diante do rosto aliviado da menina, que com todas as letras era uma loirinha branquela, de cabelos lisos, molhados e escorridos. - Onde comprou essa porcaria?


- Não é porcaria! É meu! Me entregue ou...


- Ou o quê?


- Ou isso! - TaeYeon desferiu um soco no rapaz, seu punho havia acertado em cheio bem no meio de seu nariz. Segundos depois era possível ver de suas narinas uma grande quantidade de sangue escorrendo, ela tinha quebrado o nariz dele. - Agora me devolva o meu colar! - Sem alternativa Heechul a obedeceu. Nunca tinha visto sua amiga e "patroa" tão furiosa com ele em toda sua vida, bem, ela tinha ficado assim apenas uma vez quando eram crianças, era a segunda vez que a menina o socava com tanta força no meio das fuças.

O mordomo iria falar alguma coisa, porém outra voz fora ouvida. O tom de Kim Beom soo saíra com um rugido de leão.


- Arrume suas malas, TaeYeon. Vai hoje mesmo para o colégio interno. Estamos entendidos?


- Colégio interno? - Perguntou com as sobrancelhas franzidas. Aquele senhor parecia muito sério, talvez até irritado.


- Isso mesmo. Já tínhamos conversado sobre isso, lembra? - TaeYeon negou. - Não se faça de desentendida mocinha, estamos conversados. - O homem suspirou. - E pare de bater em nosso mordomo, não irei mais tolerar seus atos de selvageria. - O pai de TaeYeon voltou para o escritório de punhos cerrados. A filha tinha herdado seu gênio forte, motivo de orgulho e também de lamentações, pois era uma menina difícil.


- Seeeee ferrou! - Cantarolou Heechul, mesmo sentindo uma dor dos infernos. - Te vejo daqui a seis meses, loirinha chata!


E saiu deixando a francesinha estática, sem entender absolutamente nada...



.oOOo.

Distúrbio

Califórnia, 08 de janeiro de 2016.


Ela pressionou o colchão, agarrou com força os lençóis e enterrou o rosto no travesseiro. Qual a necessidade de acordar um ser humano em plenas seis horas da manhã? Perguntou-se Tiffany, irritada.


- Levante-se, é uma ordem! - Rugiu o pai sentindo o sangue ferver, tudo por causa da teimosia de sua filha. Depois que a mulher morrera naquele trágico acidente de carro, o amor em estar em casa e cuidando de Fany ressurgiu da dor, como a fênix das cinzas, uma ligação tão forte que todo mundo percebia. - Tiffany, por favor, me obedeça! Sabe que não gosto de ser grosso com você.


A menina levantou a cabeça e o observou de soslaio, talvez querendo descobrir o nível de raiva que o homem se encontrava. Era impossível ele estar tão zangado, era tão fácil saber! O primeiro beijo, logo de manhã era destinado a Tiffany, o último na hora de ir trabalhar também, sem contar o de boa noite. Todos eles quando a garota estava de férias, e retornava de Seoul para a Califórnia.

E como a filha não iria ceder, o jeito fora pegá-la nos braços - no estilo noiva. Entendia o motivo da birra, também não queria que Fany voltasse para o colégio interno, porém era preciso. Preciso porque era geniosa e carente de atenção, e caso ficasse sozinha cercada por empregados sérios o risco de cair em depressão eram enormes. Tiffany piscou os olhos e ambos se fitaram com intensidade. O senhor Hwang estreitou os braços em torno da filha - num abraço apertado - e percebeu o quanto estavam sós.


- Eu não quero ir! - Bateu o pé quando posta no chão, em frente à porta do banheiro. - Eu odeio aquele lugar! - O olhar de Fany eram profundo e suplicante.


- É para o seu bem, entenda. Vai me agradecer no futuro. - Ele encolheu os olhos e riu, tentando passar confiança. A confiança de que tudo ficaria bem. Tiffany com seus 15 anos já formava um belo corpo de mulher, mas comandada por uma mente de menina. O pai estremeceu, teria mesmo ele o direito de forçá-la a uma coisa que certamente não a agradava? - Tome banho e se arrume, estou te esperando para o café da manhã em meia hora. Não se atrase! Seu voo sai em duas horas.


Distúrbio


No aeroporto Tiffany chutou uma das malas, como um moleque de cinco anos birrento faz. Achava aquele colégio miserável, não tinha amigos lá, se conversava com alguém era um verdadeiro milagre. Ela estava arrasada. Era hora de embarcar...


Seoul, 10 de janeiro de 2016


Dormiu a viagem inteira e só acordou quando uma moça simpática a cutucou no ombro. Estava cansada, tinha que se acostumar novamente com o fuso horário, revoltada e com a boca seca. Desceu do avião ainda grogue e de volta a um aeroporto, um dos motoristas do colégio a esperava. Fora recebida por ele com amabilidade. Não demoraram muito a chegar, uma vez que ambos conversavam animadamente sobre assuntos aleatórios. Não se conheciam, mas bem melhor era tentar tornar a situação menos insuportável.

O internato era grande e misto. Com espaço arejado, bosque natural e enormes piscinas e quadras poliesportivas. Fora um colégio erguido e fundado baseado nos conceitos modernos de educação excepcionais. Evidente que uma vaga ali não era nada barata. Tiffany não queria compreender o quanto o pai a superprotegia, do quanto fazia tudo por ela, achando que isso tudo era o melhor. Mas não era! A vida inteira trancafiada num colégio e só liberta a cada seis meses, era a pior coisa que alguém poderia fazer com a própria filha. Estava parada diante dos dormitórios, com cara de boba pensativa.


- Com licença... - Disse uma garota de cabelos castanhos e medianos, que caíam em cascata sobre os ombros. - Eu sou nova aqui, poderia me ajudar com as malas? Este é o meu quarto.


- Hmm... tudo bem, acho que seremos colegas então. Este também é o meu quarto... - Encarou a menina que sorria de um jeito sinistro, seu sorriso era quase maldoso, mas ela não era maldosa com quem não queria; dava para perceber de longe. Tiffany esticou o braço em direção à magrela de cabelos bonitos. – Prazer. Me chamo Tiffany Young Hwang, mas me chame apenas de Tiff ou Fany, ou Tiffany mesmo.


- Prazer em conhecê-la Tiff. Acho que seria mais educado eu também me apresentar, não? - Ambas sorriram, enquanto a garota pegava a mão de Fany e a sacolejava delicadamente, balançando em seu pulso uma pulseira com certas três voltas ao redor, e claro, um pequeno e prateado pingente em formato de chave. - Me chamo Jessica, Jessica Jung e bem... Pode me chamar de algum apelido bom que invente, mas os íntimos me chamam de Sica ou Jess.


As duas então soltaram o aperto, e como a boa garota que Tiffany era, deixou suas malas estagnadas onde estavam e ajudou sua então colega de quarto na sua primeira missão quase impossível. Agora a segunda missão era conseguir a normalidade, tijolo a tijolo, para transformar seus dias num muro perfeitamente forte, impenetrável.


Continua...


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Califórnia, 01 de agosto de 1999

E lá estava ela: branquinha como a claridade da lua. Era exatamente como o pai havia sonhado que fosse. Ali com o rosto amassado contra o vidro, ele se deu conta de que esperara toda uma vida para que a pequena chegasse.

Tiffany escorregou para o mundo como uma estrela, chorou a plenos pulmões e só se acalmou depois que a enfermeira dera-lhe banho e logo a instalando confortavelmente no peito da mãe. O problema era que a mulher não pretendia amamentá-la por muito tempo, pois tinha medo que seus seios ficassem flácidos e, portanto, decidiu dar o bibeirão muito cedo. Durante seis anos a finíssima senhora Hwang fora uma boa mãe. Não era carinhosa e nem nada do tipo, apenas amava a filha à sua maneira, cuidando e provendo-lhe tudo o que era necessário para uma vida saudável e feliz. Já o homem, via a filha como um ser indefeso e morria de medo de pegá-la desajeitadamente, fazendo-a chorar. Eram raras as vezes que brincava com a criança, ficou mais ocupado, mas por incrível que pareça Tiffany tinha uma adoração pelo pai. Sentia naquele homem de terno e gravata uma proteção gigantesca e, mesmo não o vendo como queria, quando surgia a oportunidade seus olhinhos brilhavam.


Distúrbio

Califórnia, 04 de abril de 2004

Tiffany tinha uma infância majoritariamente feliz, era uma criança precoce, que além de bonita tinha uma inteligência fora do comum. Aprendeu a falar antes de completar um ano, tentando imitar todos os personagens da Vila Sésamo. A mãe, com ela no colo, assistia a infindáveis desfiles de moda. Queria porque queria que a pequena fosse uma modelo quando crescida e por isso incutia na coitada o gostinho pelo “belo”.

- Amor, diz para a mamãe o que vai ser quando crescer.

- Modelo. – Dizia a palavra sem saber o tamanho significado daquilo. E sorria, mal sabendo que se comprometia solenemente com um futuro sem escolhas.

Nesta época o pai de Fany havia conseguido sucesso empresarial internacionalmente e ele, como presidente e dono, tinha que dar quase o sangue para continuar fazendo tudo acontecer de acordo com o planejado. Não assistia como a filha crescia e sempre que voltava para casa a encontrava diferente, mais bonita e esperta. Ela havia perdido aquela adoração pelo pai, tudo por culpa da ausência.

A vida familiar em público era atraente e adorável, realmente, a família perfeita aos olhos dos outros. Porém o casal, entre quatro paredes, não passavam de “bons amigos”. No casamento não havia mais paixão, pouco carinho e não, não havia respeito, pois a mulher sabia que o marido tinha várias amantes e toda a frustração da descoberta e brigas por cimas de brigas, causaram uma fuga inesperada. A tão delicada senhora Hwang saíra de casa numa noite chuvosa, claro que atrás do marido em algum bordel de quinta, deixara a filha com a vizinha e partiu pelas ruas escuras e molhadas da cidade em seu carro...

E então veio o acidente, seguido de uma morte sem escapatória e brutal. Tiffany era a nova órfã de mãe daquele colégio enorme na qual estava prestes a ser trancafiada.


.oOOo.



Distúrbio

França, 09 de março de 1738.

Era madrugada, o frio e o cheiro podre dos esgotos tomavam as ruas da cidade. Dentre os jovens desnutridos e as putas desdentadas, abria os olhinhos apertados, pela primeira vez, o bebezinho de descendência estranha. Era uma garotinha, que tinha sido abandonada num monte de feno perto de uma espécie de carroça.

Lola Lefebvre catou a menininha e a escondeu em seu local de trabalho. Não era uma mulher feia, muito menos rabugenta, adorava se “banhar” dos perfumes mais cheirosos e caros da época. Porém, numa noite movimentada no bordel, a casa de Lola – que ficava aos fundos – fora invadida por um grupo de ladrões metidos a “revolucionários”, e em meio ao ataque ela pegou o bebezinho e correu em direção a um beco escuro. Deixou a menininha toda enroladinha numa manta, junta aos mendigos e crianças largadas.


Distúrbio

França, 07 de abril de 1753.

Agora com 15 anos, a jovem de descendência estranha, já sabia se virar pelas ruas e aprendeu as desonestidades as quais odiava praticar. Mas era tão justo pegar algo de valor quando se tinha fome, principalmente em lugares onde o que reinava era a fartura. Não tinha nome, pelo menos não que lembrasse.

Trabalhava o dia inteiro em troca de algumas “moedas” e arranjava alguns bicos em bares nos quais era totalmente assediada, e por não aceitar tais desrespeitos era dispensada rapidamente.

Certa manhã, por volta das cinco e meia, ela acordou como de costume e desprendeu os cabelos. - Sim, a garota criou este hábito porque temia os estupros contra jovens como ela. Passar-se por um rapaz era mais seguro durante a noite – Pegou a água que saía de um cano que havia por perto e passou por todo o rosto, aquilo se aproximava de um banho e então começara a mendigar, pelo menos até avistar um senhor com trajes diferentes, seus olhos eram repuxadinhos assim como os dela. O homem também a avistou e se aproximou com seu mancar assustador.

- Qual o seu nome, moça?

- E-Eu não tenho, senhor.

- Interessante... Já amou alguém alguma vez? – Perguntou o velho de meia idade. A garota achou o assunto aleatoriamente esquisito, principalmente vindo de um desconhecido. – Ora, me responda. Não me diga que está com medo?

- Medo? Ah, não! É só que sua pergunta foi engraçada. – Mostrou um belo sorriso triste. – Quem me dera ter sido um dia amada ou amado alguém, quem iria gostar de mim deste jeito? – O senhor sorriu.

- E se eu disser que em breve alguém vai te amar, assim como você daria a própria vida por esse amor? – A menina mostrou outro sorriso, talvez o velho fosse um louco qualquer, mas um louco que estava tornando seu dia um bom dia, apesar dos apesares. – Você acredita em contos de fadas?

- Humm... não! E mesmo que acreditasse, acho que algo assim jamais aconteceria comigo. – Disse simpática.

- Então, preste atenção, vou te dar um presente. Segure-o. – O velho tirou do bolso das vestes rasgadas e imunda um lindo colar prateado, com um pingente de cadeado e estendeu diante da menina, que sem saber o que dizer com um objeto que parecia ser tão valioso, apenas o tocou com a pontinha dos dedos e logo em seguida o pegou de vez, prendendo-o com força de punho fechado. – Agora ouça, este cadeado tem uma chave. Se encontrá-la conquiste o seu dono, garanto, você não vai se arrepender!

- Tudo bem, mas é meio impossível alguém possuir um colar como este, parece que nem foi feito aqui. Obrigada pelo presente, mas suas palavras não fazem sentido. Como vou procurar por algo assim? Logo eu... e aqui...

- Eu não disse que iria procurar aqui, disse? – O velho sorriu mais uma vez, apertando mais os olhos como se fosse possível. – Feche os olhos e pense numa chave. – E mesmo não acreditando a garota o obedeceu. – Abra os olhos quando sentir o cheiro de grama verde e molhada... jovem, TaeYeon.



Continua...

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Sinopse:

" [...] - Medo? Ah, não! É só que sua pergunta foi engraçada. – Mostrou um belo sorriso triste. – Quem me dera ter sido um dia amada ou amado alguém, quem iria gostar de mim deste jeito? – O senhor sorriu.



- E se eu disser que em breve alguém vai te amar, assim como você daria a própria vida por esse amor? – A menina mostrou outro sorriso, talvez o velho fosse um louco qualquer, mas um louco que estava tornando seu dia um bom dia, apesar dos apesares. – Você acredita em contos de fadas? "

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​Hei. Vou atualizá-los mais uma vez. 


Eu estou em recesso acadêmico até 04.12.2017, ou seja, vou ter bastante tempo vago e pretendo atualizar minhas fics. Eu sei que sempre digo que vou fazer isso e acabo não fazendo, mas preciso me distrair com algo, então irei me dedicar por aqui. Além disso, vou ter outro recesso acadêmico depois de 23.12.2017 e aparentemente só terei aulas normalmente no início de fevereiro de 2018. Bem, é só isso mesmo. Como pretendo dar um up por aqui, espero que entendam que também os capítulos de algumas podem demorar a render, porque eu tenho 08 fics para dar atenção e a culpa é minha, me desculpem pelos transtornos quem acompanha alguma fic que está às moscas, vou fazer o meu melhor pra ajeitar essa bagunça. Obrigada e "Até mais ver, em francês, Au revoir"

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